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A Era da Informática


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Consequências das TIC
Vantagens & Desvantagens das TIC
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Introdução

Com o desenvolvimento das TIC a difusão de informação ganhou uma dinâmica completamente nova. Surgiu um novo conceito de espaço, o Ciberespaço, onde se desenvolve uma interacção cada vez maior entre pessoas e empresas e organizações de todo o mundo.
As TIC têm um papel fundamental na dinamização de actividades económicas e das relações interterritoriais. Aumentou a produtividade de outras actividades e geram novos sectores produtivos. Por isso é um sector de criação de riqueza. Para além disto enriquecem a nossa vida pessoal, permitindo-nos aceder a informação de todo o mundo, conhecer realidades geográficas e humanas muito diferenciadas, comprar e vender bens e serviços, participar em programas de televisão e de rádio, tomar parte e dar a nossa opinião sobre documentos e decisões oficiais em discussão pública, etc. Pelo que foi anteriormente referido, estas tecnologias são também um meio privilegiado para ajudar muitas pessoas com dificuldades de mobilidade a saírem do isolamento.
Com as tecnologias de informação e comunicação os cidadãos com necessidades especiais têm maior facilidade e mais oportunidades de inserção no mercado de trabalho, uma vez que se torna possível a sua adaptação a cada caso específico.
As TIC criaram o tele-trabalho que tem tido a adesão de empresas e trabalhadores tendo como consequência directa uma redução das deslocações pendulares e, em alguns casos, a mudança de residência para áreas rurais.
Contudo nem tudo é um mar de rosas, a evolução tecnológica proporcionou novos equipamentos e novos métodos de produção, o que contribuiu para a redução do número de trabalhadores e para a extinção de alguns trabalhos/empregos, mas, em simultâneos, criou novas necessidades ao mercado de trabalho. Novas profissões surgiram e as já existentes tornaram-se mais exigentes. É necessário dominar novos conceitos, novas técnicas e novas tecnologias. As melhorias verificadas nas qualificações individual e profissional necessárias ao desempenho das diferentes profissões deverão responder as novas exigências resultantes da revolução tecnológica. Estas transformações tecnológicas provocam temporariamente o aumento do desemprego, pois as sociedades terão de reciclar os desempregos de forma a dota-los das competências necessárias aos novos empregos e ou às novas exigências dos empregadores. O desemprego resultante da evolução tecnológica é designado desemprego tecnológico. Assim, hoje em dia, o mercado de trabalho, resultado do desenvolvimento tecnológico exige mais e melhores qualificações aos trabalhadores e a permanente actualização dos seus conhecimentos e das suas competências iniciais. O desempenho de um só trabalho ao longo da vida, esta a desaparecer.
Ao longo da nossa vida profissional vamos sendo submetidos a diferentes formações para responder as exigências do mercado do trabalho. A ideia de um só trabalho para toda a vida desapareceu e surge agora a actualização continua do trabalhador.
Para compreendermos esta necessidade de formação tem de se distinguir dois tipos de qualificação: o indivíduo ocupa um emprego de acordo com a sua qualificação individual; o indivíduo já no local de trabalho recebe formação que o torna mais apto às exigências do processo produtivo desenvolvido na empresa, qualificação profissional.
A formação fornecida pelas empresas corresponde também à aspiração dos trabalhadores por promoções e melhores salários. A busca de melhores salários leva os jovens a retardar a sua entrada no mercado de trabalho e á realização de formações académicas cada vez mais longas. Os jovens procuram responder às exigências do mercado de emprego, tornando-se mais aptos ao desempenho de diferentes tarefas através do prolongamento das suas tarefas individuais.
As TIC têm outros efeitos perversos na qualidade de vida: a insegurança provocada pela difusão de vírus informáticos; o perigo de fraude no comércio electrónico e em transacções financeiras; a falta de atenção a aspectos de carácter ético, como a difusão de ideias e comportamentos que atentam contra os direitos humanos, a dificuldade em controlar a qualidade e a fiabilidade dos conteúdos, a possibilidade de invadir a privacidade dos cidadãos, etc.; os perigos para a saúde humana, como são a emissão de radiações nocivas e os problemas psicológicos de dependência.
Todas estas consequências que permanecem na penumbra para a sociedade. Esperamos poder elucidar a mesma sociedade para essas consequências.

A era da informação: condições embrionárias

1.1 O termo impacto

Tornado palavra de ordem, quando se trata de avaliar os avanços tecnológicos da cultura contemporânea, o termo impacto revela sinais de desgaste, debilidade e esvaziamento.
O uso inadvertido e indiscriminado nos mais variados contextos criou um impasse para a abordagem semiótica da cultura, onde sistemas de signos vivem sob fronteiras e em correlação.
Deste modo, uma análise mais profunda do termo não será feita. Adotamos a definição do já consagrado dicionário Aurélio:
Impacto: Impressão muito forte. O que leva a gerar mudanças.

1.2 Complexidade do tema e conflitos de ideologias

Procurando evitar significados mais profundos ao termo impacto temos agora um problema: a inerente complexidade da abordagem proposta.
Como dizia Ada Byron, condessa de Lovelace, sempre quando se tenta tratar de um tema complexo já se está, por conseguinte, correndo o risco ou de cair na prolixidade ou cortar conceitos imprescindíveis.
Assim, espera-se que os leitores, ao final, não nos achem nem prolixos e nem demasiadamente coesos.
Da mesma forma, um termo tão amplo pode gerar conflitos nas mais diversas abordagens.
Uns podem achar um ponto mais importante que outros. E assim sucessivamente.
Procurando evitar alguns destes conflitos adotou-se neste artigo os posicionamentos dos mais influentes pensadores da atualidade em relação ao tema estudado. São eles: Manuel Castells, Michel Maffesoli, e Adam Schaff.

1.3 Mudanças a partir dos anos 60

Segundo [1], três processos independentes começam a se gestar no final dos anos sessenta e princípios dos setenta e convergem hoje para a "gênese de um novo mundo". São eles:

1. A revolução das tecnologias da informação;

2. A crise económica tanto do capitalismo quanto do estatismo e sua subsequente reestruturação;

3. O florescimento de movimentos sociais e culturais



O primeiro processo, a revolução das tecnologias da informação, actua remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência do informacionalismo como a base material de uma nova sociedade [2].

Nesse sentido, ela tem uma importância igual ou maior à da Revolução Industrial.

As tecnologias da informação tornam-se as ferramentas indispensáveis na geração de riqueza, no exercício do poder e na criação de códigos culturais. Particular importância adquire, no entanto, ao potencializar as redes - na verdade, muito velhas formas de organização social - para se tornarem o modo prevalecente de organização das actividades humanas transformando, a partir de sua lógica, todos os domínios da vida social e económica.

A interacção desses três processos, paralelos mas independentes, durante o último quarto do século XX e início do século XXI produz uma redefinição histórica das relações de produção, de poder e de experiência (individual e social) que acabaram produzindo uma nova sociedade. Essa nova sociedade é caracterizada, então, por uma nova:


Todavia, a característica da sociedade "em rede" não é o papel crucial do conhecimento e da informação. Conhecimento e informação, na verdade, foram centrais para todas a sociedades. De acordo com Castells:

O que é novo hoje, é o conjunto de tecnologias da informação com as quais lidamos, centradas ao redor das tecnologias da informação/comunicação baseadas na microeletrônica e a engenharia genética - tecnologias para agir sobre a informação e não apenas a informação para agir sobre a tecnologia, como no passado. Elas estão transformando o próprio tecido social, permitindo a formação de novas formas de organização e interacção social através das redes de informação electrónicas.

2. O paradigma tecnológico informacional

De acordo com Castells, estamos vivendo um novo paradigma tecnológico. Deste modo, as principais características desta nova forma de pensar segundo a óptica da informação são:
² A informação é a matéria-prima fundamental, segundo essa óptica, quem detém a informação detém o poder;
² A penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias, o processamento de informação torna-se presente em todos os domínios de nosso sistema eco-social e, por isso, o transforma;
² A lógica de redes, lógica bem adaptada à crescente complexidade das interacções e a modos imprevisíveis de desenvolvimento.
² A flexibilidade, entendida como a capacidade de reconfiguração constante sem destruir a organização – porém, essa flexibilidade pode ser tanto uma força libertadora quanto se tornar uma tendência repressiva, salienta o autor.
² A convergência de tecnologias específicas num sistema altamente integrado, pela primeira vez na história a mente humana é uma força produtiva directa, ela se torna o principal local de poder

3 Impactos no indivíduo e na forma de vida

O homem moderno tem incluído a alta tecnologia na sua vida quotidiana, o que vem fazendo que ele se isole cada vez mais, reflectindo no seu convívio social. Com o advento dos computadores que interligam todos os lugares não há separação da casa e do trabalho, as pessoas não precisam morar nas grandes cidades para se manter informadas, isso é facilmente conseguido com as novas tecnologias.
A revolução digital, mais especificamente com a chegada da Internet trouxe para as pessoas o que as grandes cidades já não oferecem mais, tais como:
² segurança, uma vez os índices de violência nas grandes cidades cresceu muito nos últimos anos.
² lazer sem gastar muito, hoje em dia o lazer além de ser influenciado pelos índices de violências encontra-se cada vez mais caro.
² conforto, pois sem sair de casa temos acesso a quase todos os locais do mundo na tela do computador.

Por outro lado, temos o impacto negativo, as pessoas deixam de ter um convívio social, como por exemplo a relações afectivas. As redes planetárias de comunicações (ciberespaço) em tempo real tem contribuído para o surgimento de uma sociedade estruturada através da conectividade generalizada, preocupando-se apenas com o presente vivido colectivamente.

3.1 Novas tecnologias versus garantias individuais

A informática vem se tornando tão presente na vida e no quotidiano das pessoas, que as mesmas não percebem o vínculo de dependência com a tecnologia e não percebem que sua privacidade pode ser facilmente invadida.
A informática também é utilizada por sectores de organizações empresárias responsáveis pela selecção, contratação e controle de pessoal. Esses órgãos acumulam uma significativa quantidade de informações funcionais dos indivíduos, incluindo suas opções religiosas, política partidária e, às vezes, até sua opção sexual.
A elaboração de um sistema de informações integrado pode permitir acompanhar o indivíduo do nascimento à morte. Ao nascer a criança é cadastrada no cartório de registro civil, grande quantidade de informações são colectadas pelas redes de ensino, ao atingir certa idade o indivíduo vê-se compelido a possuir documentos como: carteira de identidade, carteira de motorista, documento de serviço militar além de ter que se registrar na receita federal. Ao falecer, é extraído o atestado de óbito. O homem acaba adquirindo muitas tecnologias para facilitar e agilizar sua vida, tendo como principal objectivo adquirir mais tempo para ficar com a família. Entretanto, acontece o contrário: ele acaba adquirindo mais tempo para trabalho.

4.4 Cultura nacional e supranacional

4. Impactos na cultura

4.1 Vida digital - vida social em segundo plano

O homem moderno tem incluído em seu quotidiano uma série de hábitos recheados de alta tecnologia, que o empurra cada vez mais para o isolamento, reflectindo em seu convívio social, transformando toda a sociedade. Por causa disso e do computador que nos interliga a todos os lugares, não há mais separação da casa e do trabalho, com isso temos o contra fluxo da urbanização - ninguém precisa viver nas grandes metrópoles para manter-se informado, pois faz isso facilmente com as novas tecnologias.
Com a vida digital a urgência de contacto pessoal está cada vez mais em segundo plano.
Com a entrada do computador na vida académica por exemplo, alunos que trocavam experiências sobre suas disciplinas passaram a discutir só sobre programas de computador.
As visitas feitas em museus de arte, espectáculos e cinemas caíram drasticamente.
Desse modo, é preciso repensar um pouco mais sobre as conquistas tecnológicas invadindo a vida social das pessoas, talvez o facto de tornar o computador mais secundário em suas actividades faça o indivíduo menos dependente dessa máquina conquistando novamente os contactos sociais reais e mais produtivos para cada pessoa.

4.2 Cybercultura

Hoje em dia nós vemos o prefixo cyber, ou ciber, em tudo : cyberpunk, ciber-sexo, ciberespaço, ciber-moda, ciber-raves, etc. Cada expressão forma, com suas particularidades, semelhanças e diferenças, o conjunto da cibercultura. As tribos cyberpunks, as comunidades virtuais das redes informáticas (Minitel, BBS, Internet), o hedonismo e o presenteísmo das raves (festas tecno), o fanatismo tribal dos adeptos dos jogos eletrônicos,
o activismo rizomático e político-anarquista dos militantes electrónicos (hackers, crackers, cypherpunks. . . ) entre outros, mostram como os elementos que compõem a sociedade (que formam o mundo da vida) afectam o mundo da técnica.
A sociedade contemporânea aceita a tecnologia a partir de uma perspectiva crítica, lúdica, erótica, violenta e comunitária. Nesse sentido, as comunidades virtuais, os zippies, e os ravers mostram bem esse vector de comunhão e de partilha de sentimentos, hedonista e tribal, enquanto os hackers, os tecno-anarquistas e os cyberpunks mostram a contestação do sistema tecnocrático, o desvio e a apropriação tecnológica. Aqui nós podemos compreender como, a partir da análise da sociabilidade contemporânea proposta por Maffesoli, a cibercultura constitui-se como uma ciber-socialidade ou seja, como uma estética social alimentada pelas tecnologias do ciberespaço.

4.3 Difusão da cultura

As novas possibilidades criadas para a difusão da cultura se farão principalmente através da criação de autómatos falantes, programados para estabelecer um diálogo com os estudantes.
Além disso, o computador fará com que as pessoas não necessitem mais decorar muitas coisas, pois sua memória é muito mais extensa e com um tempo de acesso bem mais curto. Dessa forma, como um produto cultural do ser humano, o computador ganhará cada vez mais utilidade no processo educacional, tomando muitas vezes o papel de investigador do certo e do errado.

4.4 Cultura nacional e supranacional

Problemática relacionada ao tipo de cultura nacional e supranacional a ser alcançado como resultado da evolução: dessa forma, o conceito nacionalista se expandirá, criando cada vez mais cidadãos do mundo, conhecedores das culturas de várias regiões do planeta, gerando um cultura supranacional e pondo fim ao provincianismo das culturas locais. O único perigo é o da desinformação, segundo o modelo de uma sociedade de consumo, embora a do futuro não tenha esse modelo.

4.5 Conquista de um nível superior de cultura

Ocasionando mudanças nos modelos de referência pessoal e no carácter social: a sobreposição do código histórico ao código genético explica a mudanças nos valores do futuro homem em consequência aos valores referenciais externos.

4.6 Ruptura: cultura tradicional versus cultura da informática

Uma série de formulações têm sido suscitadas sobre os impactos da cultura da informática na cultura tradicional. Poderíamos situar esse debate em torno de duas vertentes:

A dos anti técnicos e a dos "integrados"; poderíamos falar ainda de uma "terceira via" que tenta compreender as novas tecnologias de informação e o seu impacto na cultura numa perspectiva que incorpore técnicas e homens como colaboradores permanentes e que abarque não apenas as vantagens e/ou desvantagens desse novo campo, mas que trabalhe os conflitos e tensões surgidas com vistas à busca de soluções.
Os chamados "anti técnicos", produziram um divórcio inconciliável entre homem e técnica, entre culturas tradicionais e cultura da informática. Por certo as elaborações da ficção científica salpicaram também no seio do debate teórico que engendrou visões míticas acerca das novas tecnologias, percebendo essa realidade tecnológica como "o grande mau". Os novos dispositivos técnicos, segundo tais visões, possuem um carácter implosivo, destruidor das práticas tradicionais da cultura; preconizam o fim de modelos tradicionais de comunicação e informação, tais como o jornal impresso e o livro.

Para forjarmos uma compreensão mais adequada acerca da chamada era tecnológica e dos seus reais impactos nas interfaces de leitura e escrita, enfim, dos processos de produção de informação e de comunicação, há que se recompor e juntar os fios da história desses aspectos das culturas humanas; ao mesmo tempo é necessário que se proceda à uma espécie de descontaminação do conceito de "virtual" das conotações de ilusório e falso, consequentemente, irreal. Se pensarmos na virtualização não como algo irreal, inexistente, mas antes como uma "potencial actualização" da realidade humana, então teremos que em todas as culturas, as sociedades vivenciaram processos de "virtualização" da realidade, na medida em que actualizaram formas tradicionais de percepção, atribuição de sentidos, leituras do mundo à sua volta.

Ao firmarem no cálamo ou na tábula de argila, os pilares da escrita manuscrita, os povos fenícios e mesopotâmicos levavem também uma "actualização" das suas formas tradicionais de leitura e apreensão da realidade. Instauravam formas novas de significação do mundo, abriam as trilhas para a interpretação hermenêutica, para a crítica, para a organização do estado e da ciência moderna. criavam a possibilidade de um "emissor" da comunicação "virtual", porque abstrato, diverso do emissor da comunicação interpessoal face a face. A escrita mecanizada era uma "virtualização", no seu vigor de actualizar as formas tradicionais de acesso à leitura e à escrita, retirando das mãos dos escribas o processo de duplicação das obras escritas, propiciando facilidade e democratização do acesso ao texto.

E eis que vivenciamos na era digital, uma nova actualização das formas tradicionais de leitura e escrita. É nesse contexto em que se ampliam as formas de acesso ao texto, as possibilidades de "ser" desse texto, que melhor se adequa o termo "revolução". Os protagonistas dessa nova viragem no processo desenvolvimentista ainda são os mesmos da era manuscrita: homens, dispositivos técnicos, aliados a um ingrediente fundamental: o imparável processo de significação e ressignificação da realidade.

4.7 Mudanças na prática de cultura

Os avanços tecnológicos proporcionaram grandes mudanças nas diversas áreas da cultura, como no cinema, no teatro, na música ou na literatura. Podemos perceber claramente os efeitos desses avanços nos filmes, por exemplo.
As ferramentas da informática proporcionaram uma maior liberdade para os autores possibilitando que seu imaginário pudesse ser reproduzido de maneira nunca vista antes. Nesse contexto, obras consagradas da literatura que se utilizavam de fantasias que até então só podiam ser visualizadas em nossas mentes, ganham vida nas telas do cinema através dos impressionantes efeitos especiais presentes hoje nas grandes produções.
Há aqueles que acham que muitos filmes possuem apenas tecnologia e não têm conteúdo. Mas percebe-se que um bom conteúdo fica ainda melhor quando a tecnologia é bem aplicada, i.e., quando ela é uma ferramenta para o conteúdo e não o centro das atenções.
A música é outro campo com grandes mudanças devido aos impactos da informática.
Antes poucas pessoas conseguiam gravar suas músicas e quando conseguiam levavam um enorme tempo para que elas fossem ouvidas por muitas pessoas. Hoje há uma grande facilidade para se gravar músicas, gerando muito lixo musical, é verdade, mas também dando oportunidade a bons cantores de divulgar suas músicas. Com as facilidades das tecnologias da informação o tempo de uma música ser gravada até estar na "boca do povo" foi drasticamente diminuído. É uma pena porém, que esta facilidade de divulgação seja controlada pela media, que, como vemos parecem ter mais interesses do que gosto pela boa música na escolha do que divulgar.
Do mesmo modo, os vários outros sectores ou estruturas da cultura estão sendo afectados pelos impactos das novas tecnologias. Foge ao escopo de nosso trabalho especificar em cada uma dessas áreas.

4.8 Influência na publicação de livros

O texto escrito, com os dispositivos técnicos de impressão, ganhou em quantidade e em qualidade gráfica. Nunca se publicou tanto no mundo como nas últimas décadas.
A realidade quotidiana tem posto por terra as visões alarmistas que a cada invento preconizaram o fim de uma modalidade anterior de informação e de comunicação. Muito se lê hoje em dispositivos virtuais mas percebe-se que em relação a livros inteiros ainda demorará um certo tempo para que as pessoas prefiram os digitais aos impressos.

5. Problemas

5.1 Restrições ao acesso e domínio da tecnologia

A cultura da informática não traz apenas benefícios, mas também gera conflitos e tensões.
Há autores que comparam a desigualdade social no acesso e domínio da tecnologia, com a desigualdade do acesso à leitura e escrita nos tempos antigos.
Antigamente, apenas os "escribas" e uma pequena minoria dominava a leitura e a escrita.
Assim somente eles tinham acesso aos livros e obras, dominando e centralizando o conhecimento, enquanto a grande maioria da população possui apenas o conhecimento da comunicação oral passada de pais para filhos. Hoje, apesar da rápida expansão da informática, enormes contingentes da população mundial não têm acesso a tais tecnologias. Assim o que é quotidiano para alguns não é acessível a outros.
Peguemos agora o exemplo do cinema. Citamos os avanços nessa área, mas percebe-se claramente que poucas grandes produtoras têm dinheiro para comprar tais tecnologias, gerando uma enorme desigualdade nas produções de cinema. Assim, ainda que as ideias ou conteúdos de muitos filmes sejam muito bons eles ficam distantes do grande público, que é seduzido pelo poder tecnológico e de marketing das grandes produtoras.
Há aqueles que defendem que estamos em um processo de democratização no acesso aos livros. Desde a facilidade de compra pela Internet até o acesso a livros inteiros por vias digitais. Mas essa democratização só será realmente facto consumado, quando o acesso à tecnologia for realmente democrático.

5.2 Responsabilidades dos governos

Espera-se que os governos actuem de forma eficaz nos problemas de acesso e domínio da tecnologia, sendo agentes na democratização do acesso a ela.
É necessário, por exemplo, que as escolas sejam informatizadas para que as crianças tenham logo cedo, acesso a essa nova forma de cultura, o que, sem dúvida, facilita o seu processo de aprendizagem. O governo precisa investir também nas pesquisas das áreas da informática, possibilitando que o país produza sua própria tecnologia gerando tanto maior acesso à informática aqui como também renda para o país. Além de muitas outras medidas que podem ser tomadas em favor do desenvolvimento do país, em relação ao acesso à informática.

6. Conclusões

É inevitável que mudanças mais sérias ainda estejam por acontecer. A sociedade esteve e sempre estará numa constante evolução. Seguindo as brilhantes ideias de Charles Darwin no domínio do evolucionismo sabemos que devemos procurar nos adaptar. A selecção natural da vida é inevitável.
Entretanto, não devemos assistir a tudo passivamente. Devemos, ao contrário, estar interagindo com todo o processo evolucionário. Diante disso procuramos sempre nos questionar: acompanhar as tecnologias ou estagnar-nos? Devemos delimitar o seu uso? Talvez numa tentativa de resgatar o convívio social? Realmente, temos dúvidas em relação àquela famosa frase: - a felicidade está na ignorância- pois quanto mais sabemos mais temos a certeza de que é insuficiente!

Impacto da tecnologia de dados na sociedade do futuro

O que se armazena em, se processa por e se transmite com computadores são dados, e não informações. Dados são representações simbólicas quantificadas. Assim, uma árvore não é um dado, mas descrições da mesma em forma de texto ou uma foto o são. Informação exige um ser humano que a recebe, eventualmente sob forma de dados, e a interpreta, associando-a a conceitos, lembranças de imagens, sensações, etc., já conhecidos. Se o Prof. Siang escrever a descrição da árvore em Mandarim, ela será um montão de dados para mim (poderemos processá-la formatando-a, mudando de fontes, etc.), mas não consigo obter nenhuma informação a partir dela. A mesma descrição em português são dados que se tornam informação para mim quando eu compreendo suas frases, mas provavelmente será apenas um montão de dados para um chinês. Um semáforo vermelho é um dado, que é interpretado por um motorista, passando a ser uma informação para o mesmo. É importantíssimo reconhecer que para um computador tudo é dado, e nada é informação. Claude Shannon não fez uma Teoria da Informação, mas uma Teoria de Dados. De FACTO, sua teoria preocupa-se por exemplo com a capacidade de canais transmitirem dados, e não informação; ela não se preocupa em absoluto com o conteúdo do que é transmitido.
Vamos considerar a TD (tecnologia de dados) como englobando computadores, redes de computadores, dados e programas.
O título proposto exige uma especulação inicial sobre o que será a sociedade do futuro. Podemos imaginar dois cenários: a continuação das tendências verificadas principalmente no século XX (mas que são uma continuação das consequências de uma mudança na constituição humana que vem se processando desde o século XV) ou uma guiada para outros caminhos (como uma possível consequência dessa mudança).
No 1º cenário haverá uma penetração cada vez mais acelerada da TD, continuando a tendência dos últimos 50 anos. Isso se deve a vários factores:

1) O facto de estarmos continuamente imersos em frutos de pensamentos abstractos ou técnicos, e a TD trabalhar justamente com pensamentos - muito restritos - que foram colocados nas máquinas ou redes sob forma de dados ou programas. Pelo contrário, na antiguidade o ser humano estava imerso quase que somente em um mundo natural que não tinha sido pensado por seres humanos (a menos de sua casa e de alguns instrumentos).


2) A colocação do avanço técnico a serviço de interesses ambiciosos de enriquecimento ou de poder. Assim, esse avanço não visa atender a reais necessidades humanas, mas a interesses egoístas e gananciosos, isto é, anti-sociais. A sociedade não é convidada a se manifestar sobre a introdução de um novo 'gadget' (em hard ou soft); se não há necessidade do mesmo, ela é criada por meio de marketing milionário.


3) O casamento absolutamente indevido entre a economia e o conhecimento científico, levando este a dedicar-se principalmente ao desenvolvimento técnico e àquilo que pode produzir lucro ou poder. 4) O modismo e a curiosidade ainda sobrepujam de longe a consciência na utilização de qualquer novidade técnica.

Um dos grandes problemas da TD é que ela trabalha somente através de dados e programas, sendo os primeiros quantificados e os segundos restritos à lógica simbólica dos computadores (que também é quantificada). Assim, perde-se totalmente a qualidade que não pode ser quantificada ou expressa sob forma de instruções lógico - simbólicas. Não se pode provar que ela existe, mas também não se pode provar que tudo seja quantificado. A vivência sensorial de cada um, por exemplo, claramente não é sentida pessoalmente como quantificada, como também não o são os pensamentos, os sentimentos e os impulsos de vontade. Portanto, uma quantificação indiscriminada simplesmente não corresponde à nossa vivência, sendo necessariamente desumana. A necessária quantificação da TD leva à eliminação ou ao esquecimento da qualidade, e isso tem significado um empobrecimento da vivência humana, que neste cenário continuará aumentando. Cremos que a tendência é esse empobrecimento chegar a reduzir o comportamento do ser humano ao nível de máquinas, isto é, um nível sub natural - ao contrário do que acho que deveria ser o nosso caminho, isto é, no sentido de nos tornarmos supra - nacionais (quando o ser humano das cavernas fez uma pintura rupestre, já não era mais um ser 100% natural, e conjectura-se que nunca o tenha sido).


Pode-se objectar que textos já existiam antes da TD e que eles já usavam uma representação quantificada. A sua introdução deveu-se, creio, a uma das etapas do empobrecimento geral do ser humano. É importante observar que esse empobrecimento foi necessário para a aquisição da liberdade, da auto - consciência e da individualidade, que podem ser considerados como enriquecimentos em outra direcção. Não foi à toa que Platão chamou a atenção para a perda que a escrita significava - compare-se a nossa capacidade de memorizar com a que havia na época em que Homero declamava suas enormes epopeias sem usar 'cola'. Uma das grandes diferenças dos livros e revistas em relação a textos e imagens via TD é que nos primeiros há algo físico a ser pego, no qual se pode fazer anotações físicas e com os quais se pode ter um relacionamento pessoal. Por outro lado, há obviamente uma grande flexibilidade introduzida pela TD na busca, na selecção e no hiper texto. Infelizmente, a TD, por meio da Internet, eliminou a responsabilidade de quem editava o livro ou revista. Agora qualquer um coloca qualquer as suas ideias ao acesso de centenas de milhões de pessoas, sem que ninguém se responsabilize além do autor, e sem que se possa associá-la com, por exemplo, uma publicação sensacionalista, o que poderia evitar ter-se que lê-la para saber do que se trata. Isso significa uma diluição do que é útil num mar de inutilidades. Assim, o lixo na Internet aumenta exponencialmente, ao passo que o que é útil aumenta linearmente - com um coeficiente bem baixo! Humberto Eco declarou há pouco no Fórum de Davos que "A enchente de informações leva à idiotização da sociedade." Uma outra vantagem do livro era que ele constituía um todo. Era bom encontrar alguém que tenha lido um livro inteiro no computador, sem tê-lo impresso. Provavelmente a fragmentação produzida pela máquina impede a concentração necessária para se ler um livro prestando atenção de cabo a rabo.


Mas o que não havia antigamente era o processamento algorítmico de dados - a não ser mais recentemente, em cálculos, como os astronómicos a partir do século XVI, que eram feitos em galeões, com as folhas penduradas em varais. Obviamente, as pirâmides egípcias não foram calculadas, pelo menos na Estática - mas nem os Incas o fizeram muito mais recentemente, em suas maravilhosas enormes pedras perfeitamente encaixadas, pois não tinham nem escrita. Na medida em que a sociedade depender mais e mais de processamento de dados, tornar-se-á mais e mais empobrecida, principalmente pela perda dos aspectos qualitativos e pelo processamento reduzido em última instância às limitadas manipulações lógico - simbólicas das instruções das linguagens de máquina. Logicamente não estou me referindo a processamento de entes já quantificados, como o sistema monetário - o que levou ao casamento perfeito da TD com o sistema bancário -, ou aos cálculos necessários, por exemplo em engenharia.


Uma tendência que nos achamos absolutamente idiota mas que provavelmente acabará por se impor largamente será a do 'ubiquitous computing', isto é, o computador em todo lugar (muito mais do que hoje!). Contra o 'ubiquitous computing', vejam-se alguns dos últimos números da excelente revista eletrônica Netfuture - Technology and Human Responsibility. Aliás, essa revista, com um grande número de assinantes, é um contra-senso às tendências actuais: ela é absolutamente anti-democrática, pois reflecte exclusivamente - a menos de algumas cartas transcritas - a opinião absolutamente pessoal de seu editor Stephen Talbott (autor do livro The Future does not Compute). Isto é, na era da despersonalização causada pelas máquinas e pelo computador, aparece alguém na Internet que se torna popular apesar de impor um estilo absolutamente pessoal marcado, por sinal, por uma tentativa de crítica sem agredir os opositores e sem se envolver em polémicas.


Portanto, os primeiros impactos profundos da TD na sociedade futura serão, neste cenário, o aumento do empobrecimento da realidade através de sua representação em forma de dados e processamento destes últimos, e da substituição de mais e mais actividades humanas por máquinas.


Um outro impacto profundo será a continuação, incremento e popularização da mentalidade corrente nos meios intelectuais desde meados do século XIX, de que o ser humano é uma máquina. Isso não é tanta novidade: em 1748 La Mettrie publicou um livro intitulado L'Homme-Machine. Mas certamente era uma novidade nessa época. Nunca houve uma metáfora tão grande para essa mentalidade quanto o computador o é, pois nunca uma máquina trabalhou simulando uma gama tão variada de nossos pensamentos. No mundo actual, estamos cercados de frutos do pensamento humano, portanto ele tornou-se o que de mais importante foi desenvolvido pela humanidade. É preciso conhecer o que é um computador do seu ponto de vista lógico (isto é, sua linguagem de máquina) para saber que ele só simula certos pensamentos restritos (aqueles que podem ser expressos através de algo redutível às instruções da LM), e não pensa. Aliás, conhecendo os circuitos lógicos percebe-se que um computador nem mesmo soma: ele combina símbolos lógicos de modo a dar o resultado esperado para a soma. Mas nada disso é conhecido pelos leigos, e os 'computatas' não parecem interessados em desmistificar a máquina, já que eles mesmos introduzem nomenclaturas falaciosas, como por exemplo a 'Inteligência Artificial'. Essa expressão foi introduzida por John McCarthy, iniciador da pesquisa do que se denominou de 'semântica formal' de linguagens de programação que, por sinal, não é semântica coisa nenhuma, pois o computador é uma máquina puramente sintáctica. Pois bem, segurem-se, ele afirmou, conforme relatado por John Searle em seu livro Minds, Brains and Science: "Pode-se dizer que máquinas tão simples como termóstatos têm opiniões ('beliefs')." Perguntado por Searle qual era a opinião de um termóstato, McCarthy afirmou: "Meu termóstato tem três opiniões: aqui está muito quente, aqui está muito frio, ou aqui está bom." Transcrevo tudo isso para mostrar o que é uma mentalidade de achar que o ser humano é uma máquina - no caso, que nossa opinião é como a reacção mecânica de um termóstato. Não é à toa que ele inventou a expressão abreviada em inglês por AI ('automated imbecility',). Se a concepção é de que o ser humano é uma máquina, obviamente alguém achará que alguma máquina terá um dia a nossa inteligência, seja lá o que isso for. Quantas pessoas estão falando por aí, além de mim, que o computador pode parecer ter um comportamento inteligente, mas que se indo ao fundo verifica-se que ele é de uma burrice total - pois segue sempre o programa pré-determinado? Aliás, deixem-me aproveitar para enunciar a última Lei de Setzer: "Só os burros necessitam de uma definição de inteligência." Corolário: os computadores são burros.


Na verdade, a influência na mentalidade é o meu maior temor de impacto do computador, e essa influência é clara: a de reduzir a concepção que se faz do ser humano à de uma máquina, novamente reduzindo-o a algo sub natural. O problema é que essa mentalidade vá provocar tragédias terríveis. Já estamos podendo imaginar as possíveis consequências disso: a ideia de que o ser humano é determinado fundamentalmente pelo seu cromossomas - levantado com o auxílio essencial de computadores, isto é, mais uma quantificação! -, E que poderemos alterá-lo para 'melhorar' uma pessoa, deriva totalmente dessa mentalidade. Chama-se essa tendência de 'racismo genético'. Deveria ser 'eugenia genética', mas o exagero é propositado, e me leva ao seguinte. Os nazistas - esses representantes máximos do que eu chamo de 'século da barbárie' - trataram milhões de seres humanos como animais, transportados em vagões de gado, confinados em verdadeiras jaulas, etc. Mas pode-se ter uma ética em relação aos animais, vide as Sociedades Protetoras, as campanhas para defender as baleias e espécies em extinção (ainda há um sentimento de veneração em relação à natureza, mas neste cenário a TD talvez acabe com ele), as campanhas para não se usar animais em experiências de laboratório, etc. O que não faz sentido é ter uma ética em relação às máquinas - bem, desde que não se tenha uma mentalidade como a de McCarthy, pois não admiraria se ele tivesse dó de desligar o seu micro. Assim, a concepção de ser humano como máquina poderá produzir atitudes que deixarão os nazistas no chinelo. Temo especialmente pela mentalidade que terão, quando adultas, as crianças que usam computador hoje em dia. Elas não têm a possibilidade de compreender o que é a TD e são demasiadamente influenciáveis.


Mas há outras consequências desastrosas deste cenário. Uma outra será um aumento na fragmentação da vida humana. Examinem-se quando as pessoas usam o computador, especialmente a Internet. Vejam como em geral não se concentram em um trabalho ou um assunto só: por exemplo, lêem e respondem montões de e-mails rapidamente, se uma cita um "site" outras vão vê-lo, nesse "site" seguem vínculos para outros, etc. Essa fragmentação tende a dissolver a auto-consciência e a individualidade, limitando a liberdade à escolha das acções permitidas pelo software. Enfim, novamente o ser humano é reduzido em sua humanidade.


Um outro impacto da TD que provavelmente piorará no futuro é o aumento da velocidade das reacções que seus usuários são obrigados a exercer. Novamente, é como se o ser humano fosse reduzido a uma máquina, agora de reagir rapidamente. Crianças e jovens estão sendo treinados para isso, por meio dos terríveis joguinhos electrónicos e pelo uso de computadores. É uma verdadeira 'maquinização' do ser humano em termos de suas acções. O raciocínio é sempre lento, a menos das ideias intuitivas que devem depois sofrer uma calma reflexão, antes de se agir - o que os animais não podem fazer, pois seguem seu 'programa' impulsivamente. Mas a TD impõe uma velocidade que não está de acordo com essa lentidão de nosso pensamento consciente. Isso sem falar na velocidade absolutamente desumana das mudanças das máquinas e da sociedade, mas isso já está sendo tratado por uns e outros. Essa questão de velocidade está penetrando nos negócios. Há muito que a selecção natural não deve ser aplicada ao ser humano, a não ser em uma área: a económica, onde na selva capitalista claramente impera a lei do mais forte. Pois bem, estamos entrando na era da lei do mais rápido: empresas que não se "internetarem" rapidamente serão engolidas pelas que o fizerem. Mais desumanização da sociedade.


Finalmente, ligado à aceleração do tempo aparente, há outro impacto que, neste cenário, certamente vai piorar muito: o adiantamento do desenvolvimento pessoal e da humanidade. Já escrevi bastante sobre a aceleração indevida do desenvolvimento das crianças e jovens quando usam o computador, em qualquer aplicação. Cremos que a liberdade exagerada introduzida pela Internet também é uma aceleração. Aprecia-se muito essa liberdade, quando não se recebe "junk e-mails" ou vírus, o cartão bancário não é clonado ou as listas em que se participa não trazem uma enxurrada de e-mails diariamente. É possível que a humanidade ainda não esteja suficientemente desenvolvida para o exercício do grau de liberdade oferecido pela Internet. Liberdade exige auto-consciência e responsabilidade social, que ainda estamos desenvolvendo. Esse adiantamento indevido do futuro pode significar um efeito contrário: a perda da liberdade, por não sabermos usá-la (é o que já acontece quando pessoas sem suficiente maturidade, como por exemplo crianças, são influenciados por 'sites' indevidos). Os problemas com a liberdade exagerada na Internet não serão nada com a implementação da planeada 'Freenet', uma rede em que se poderá colocar anonimamente o que se quiser, o autor não terá que se inscrever em um provedor, e será impossível localizar e eliminar o arquivo em que a informação foi armazenada. Se o cenário em que estamos não mudar, parece-me que a 'Freenet' vai tornar-se uma realidade.


Em resumo, os maiores impactos serão na desumanização contínua e acelerada do ser humano. As consequências disso poderão ser terríveis: desagregação social, desespero e desilusão pessoal com a vida, aumento de fundamentalismos religiosos, étnicos e o científico (crença nos paradigmas da ciência - por exemplo, considerando a Biologia um ramo da Física), levando talvez a uma apocalíptica guerra de todos contra todos.


Agora vamos passar ao outro cenário. Nesse cenário, os seres humanos reverteriam todo esse processo. Isso seria um fruto de uma tomada de consciência daquilo que se está fazendo inconscientemente. A economia passaria a atender interesses sociais, e não a ambições egoístas e portanto anti-sociais. Note-se que as injustiças sociais, o desespero e a desesperança estão em média aumentando de maneira acelerada, de modo que os efeitos benéficos da 'invisible hand' de Adam Smith, cuja mentalidade impera na economia, estão cada vez realmente mais difíceis de ser vistos - a não ser em poucos casos privilegiados. A introdução de uma nova técnica ou máquina deveria atender a reais necessidades sociais, controladas pela própria sociedade (e não pelo Estado ou pelos meios de produção). Não deveria haver liberdade, e muito menos igualdade nos meios económicos e de produção, e sim uma fraternidade, produzindo-se o que é necessário e tem prioridade. Neste cenário, a TD passaria a servir naquilo em que pode ser realmente útil, e não a ambições pessoais e a modismos. Como o sistema bancário é quantificado por natureza (da moeda), é ponto pacífico que a TD pode ser útil nessa área - sem se esquecer que não se deve eliminar as pessoas naquilo que realmente elas são imprescindíveis: não para fazer uma transferência de dinheiro, mas para um aconselhamento em investimento, por exemplo. A TD, mais especificamente a Internet, poderia ser muito útil como vector para essa mudança de mentalidade.


Atenção para o facto de que o fatalismo de "essa máquina veio para ficar, apertem os cintos!" não se aplica mais a várias conquistas técnicas. Por exemplo, já se provou que a bomba atómica não veio para ficar; talvez as centrais nucleares também não vieram para ficar. Exemplos de exageros da TD: o vício que a Internet produz (pesquisas recentes mostraram que 6% dos seus usuário são viciados nela); a diminuição da interacção social e aumento da depressão provocados pelo uso da Internet, como mostrado em pesquisas recentes das universidades de Carnegie Mellon em 1998, de Stanford em 1999 e de Harvard em 2000; o facto de se ter constatado que robôs industriais são muito menos eficientes que trabalhadores humanos, pois estes adaptam-me muito mais rapidamente a mudanças na linha de produção, e os robôs necessitam de reprogramação, que é sempre demorada e leva tempo para se tornar confiável.


Uma observação profunda mostra que as forças que estão por trás das máquinas são infinitamente inteligentes, mas não têm um pingo de bom-senso. Assim, contra seu próprio interesse, sempre acabam exagerando, o que promove uma conscientização e uma reação contra. A 'Freenet' citada acima claramente é um exagero de liberdade para quem não está preparado a exercitá-la, e quem sabe mostrará que liberdade exige responsabilidade, que ainda não desenvolvemos no grau necessário. De modo que há alguma esperança de que o mau uso e o exagero da TD, e os problemas daí advindos, venham a consciencializar as pessoas de que é necessário dar um basta e começar a controlá-la, colocando-a a nosso serviço em um sentido realmente humano e não de homem encarado como máquina.

Mais impactos das TIC

.1 Introdução

As Tecnologias da Informação e da Comunicação - TICs - estão cada vez mais presentes nas nossas actividades enquanto profissionais ou simplesmente enquanto seres humanos, criadores de conhecimento e utilizadores da informação.

A forma como nos organizamos, trabalhamos, divertimos e até pensamos, é influenciada pela utilização das tecnologias, que deixam assim o seu papel, de ser apenas mais um instrumento, para ocuparem o papel de mediadores entre a informação e as capacidades e necessidades de indivíduos e organizações.

Estes dois parágrafos apontam tendências que qualquer um de nós pode reconhecer ou, em oposto, não compreender. Esta dualidade de posições é precisamente um dos perigos que enfrentamos, qualquer que seja a nossa profissão ou responsabilidade e independentemente da nossa capacidade de lidar com a informação. O nosso valor, enquanto elementos úteis à sociedade sai, também ele, afectado dos conhecimentos que possuímos das Tecnologias de Informação e do Conhecimento, e da forma como conseguimos potenciar esse conhecimento para fazer, talvez mais, melhor e com menor esforço, mas acima de tudo, como forma de garantir um papel actuante em termos de cidadania e da nossa capacidade de continuar a aprender e evoluir. Tal resulta em seres humanos mais educados e mais habilitados, para intervir na Sociedade da Informação e do Conhecimento.

É precisamente com esta preocupação em mente, de modo a contribuir para assegurar que o máximo de indivíduos possam utilizar o computador e algumas das suas aplicações mais básicas, não como um instrumento, mas acima de tudo como uma tecnologia que permita um diálogo perene e actuante para garantir que nos encontremos do lado dos "inforicos".

1.2 Sociedade da Informação e do Conhecimento

A Sociedade da Informação e do Conhecimento é já um facto. Hoje em dia, fala-se em um número crescente de circunstâncias da Internet, dos computadores, da economia digital, da TV interactiva, da 3ª geração de telemóveis, e de tudo o mais que vai mudar... a começar pela forma como trabalhamos, nos divertimos, aprendemos e ensinamos, viajamos e sobretudo nos relacionamos uns com os outros.

Na Sociedade da Informação e do Conhecimento, onde quase tudo parece ter uma sombra digital, dois factores apresentam grande transformação quando comparados com o que se aceita ser o seu significado tradicional: o tempo e o espaço.

Um outro aspecto importante é o digital. De facto, contrapondo o físico, isto é, a realidade dos átomos, ao digital, que incluindo a informação, é virtual, temos características e necessidades bem diferentes para as quais necessitamos de outras competências e capacidades. A Sociedade da Informação e do Conhecimento, pode ser caracterizada como uma sociedade em que as interacções entre as pessoas são, predominantemente, realizadas de forma digital.

A Sociedade da Informação é um conceito utilizado para descrever uma sociedade e uma economia que faz o melhor uso possível das Tecnologias de Informação e da Comunicação. Numa Sociedade da Informação, as pessoas aproveitam as vantagens das tecnologias em todos os aspectos das suas vidas: no trabalho, em casa e no lazer. Exemplos destas tecnologias são a utilização das caixas automáticas para levantar dinheiro e outras operações bancárias, os telemóveis, o teletexto na televisão, a utilização do serviço de telecópia (fax) e outros serviços de comunicação de dados como a Internet e o correio electrónico.

Estas tecnologias têm implicações em todos os aspectos da nossa sociedade e economia. Estão a mudar a forma como nós fazemos negócios, como aprendemos e gastamos o nosso tempo de descanso. Igualmente, a Sociedade de Informação apresenta novos desafios para os nossos representantes legais na gestão do País, nomeadamente na necessidade de considerar novas leis, novos meios de educação, incentivar novas formas de fazer negócios e facilitar o acesso a serviços do governo por meios electrónicos. Face a esta nova realidade (digital), o que vale a pena aprender?

1.3 Competências do indivíduo para a Sociedade da Informação

Face à mudança do físico para o virtual, e à importância crescente das interacções baseados no digital, é necessário reflectir sobre quais as competências que importa desenvolver.
Parecem existir competências que convém assegurar num indivíduo para que este tire o máximo partido das oportunidades que surgem, resultantes do impacto da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Entre as várias competências que se podem associar a cada indivíduo enquanto profissional, nomeadamente o conhecimento de técnicas e conceitos da sua área de actuação, podem ser também consideradas competências gerais que auxiliam qualquer um de nós a melhorar a sua capacidade de intervenção enquanto indivíduo, profissional e cidadão:

>>> Capacidade de concretização, isto é, de saber fazer e saber reproduzir em novas situações e contextos.
>>> Capacidade de trabalho, em especial, trabalho em grupo, quer como líder e orientador de grupo, quer nas competências de diálogo e de partilha de informação e conhecimento.
>>> Flexibilidade e versatilidade, para operar em diferentes contextos e tomar decisões face à mudança.
>>> Capacidade de auto-estudo, de aprender tanto através da própria prática como pela própria necessidade.
>>> Capacidade de análise/síntese, como forma de assegurar o seu papel de comunicador;
>>> Criatividade, tanto em termos de liderança, como de propor novas perspectiva, de tomar atitudes ganhadoras e ser proactivo.
>>> Capacidade de articular ideia e de inovar, em especial ser capaz de se expressar na língua nativa e numa segunda língua com fluência. Inovar, no sentido, de propor novas formas de resolver velhos problemas e melhorar soluções existentes.
>>> Capacidade de pensamento crítico: ser capaz de filtrar e avaliar a qualidade e mesmo veracidade da informação que é disponibilizada. Cada indivíduo deve ser capaz de efectuar a escolha de que informação usar e determinar o seu grau de utilidade.

Em complemento ao indivíduo, há que considerar igualmente a comunidade. A comunidade é entendida aqui como a associação de indivíduos com interesses comuns. Cada indivíduo pode pertencer a mais de uma comunidade de acordo com os seus interesses e competências. A noção de pertença a um dado grupo, é mais o resultado da contribuição dada a esse grupo, que uma medida administrativa de afiliação.

1.4 Contributo para o desenvolvimento de competências

Com base na discussão das competências para a Sociedade da Informação e do Conhecimento, todos os indivíduos com responsabilidades e devidamente educados para enfrentar a sociedade devem ter conhecimentos em quatro áreas relacionadas com as Tecnologias de Informação e da Comunicação:

>>> Desenvolvimento do processamento de dados e informação: o que de novo é possível utilizar (programas, aplicações e técnicas) para tratamento de dados e informação que permitam fazer o mesmo, mas de forma diferente, ou fazer o mesmo, mas com menor custo e/ou esforço, ou ainda, a criação de novos meios e técnicas de obtenção quer de dados, quer de informação.

>>> Conceitos básicos de hardware e software (material e lógica) e dos ambientes específicos que estes geram: desta forma, quer os sistemas de computador, quer os equipamentos a estes associados podem influir tanto na nossa eficiência (aproveitamento dos recursos disponíveis) e eficácia (grau de sucesso dos objectivos propostos) do nosso desempenho, como constituírem-se em potenciadores da nossa actividade, acrescentando valor e permitindo a obtenção de novo e mais conhecimento.

>>> Impacto social resultante do uso de computadores e tecnologias associadas: muitas vezes designado por informática social, constitui uma área de saber que examina a concepção, usos e consequências das Tecnologias de Informação e da Comunicação nos modos em que são usadas para interacção entre indivíduos, nas organizações e tomando em consideração contextos culturais bem definidos. Cabem aqui preocupações tão diferentes como as novas formas de trabalho (de que o teletrabalho é um exemplo), o risco social de uma nova exclusão - a info-exclusão, ou muito simplesmente, as novas competências que um indivíduo deve possuir enquanto profissional, preparado para a Sociedade da Informação e do Conhecimento.

>>> Modos de utilização dos computadores e das TICs em diferentes áreas do saber: em um tempo em que os saberes de diferentes áreas de conhecimento são cada vez mais fonte de inspiração, uma postura multidisciplinar permite uma maior compreensão do que nos envolve e das transformações que ocorrem.

Desta forma, este texto de introdução aos computadores e ao seu uso, tem por objectivo contribuir para o desenvolvimento de cidadãos mais informados e, desta forma, com maior capacidade de actuação na Sociedade e Informação e do Conhecimento.

São objectivos do texto, o fornecimento de um conjunto de competências que se enquadram no que foi anteriormente referido, nomeadamente, a capacidade de cada indivíduo:


>>> Poder utilizar um computador para processar, guardar e gerir informação.
>>> Poder utilizar um processador de texto para elaborar e reutilizar documentos escritos multimédia (com imagens, gráficos, cor e texto) para comunicar ou expressar as suas ideias.
>>> Poder utilizar uma folha de cálculo para efectuar simulações e cálculo numérico, como forma de suporte à decisão e construção de modelos de suporte ao raciocínio.
>>> Poder utilizar um navegador de páginas Web, de forma a pesquisar e recolher informação em formato hipermédia disponível na Internet e mais concretamente na World Wide Web, assim como usar diversos serviços disponibilizados na Internet como é o caso do correio electrónico, para enviar e receber mensagens e informação.
>>> Poder utilizar um programa de apresentações para expor ideias, projectos e argumentos de forma a envolver grupos de pessoas e possibilitar a partilha de conhecimento.

Obviamente que com este texto apenas se pretende apresentar uma ajuda (uma introdução) e, dessa forma, servir como ponto de partida para novas explorações. É que, apesar de todas as tecnologias e ajudas que actualmente existem, a aprendizagem é ainda um esforço de cada um cujo resultado reverte para o próprio, mas que pode ser vivenciado de forma colaborativa e como uma experiência divertida - é que para gostar, é preciso conhecer!

Interacção com as crianças

Se o processo de formação da identidade sofre o impacto das interacções estabelecidas pelo indivíduo com o meio, as experiências vividas em ambientes educativos virtuais - que se constituem em modalidades especiais de interacção - também afectam a construção duma identidade.
Belloni fala de uma "cultura digitalizada", em que as crianças e os jovens de hoje estão imersos desde os primórdios da vida. A autora destaca, como características dessa cultura, a fragmentação e a extensão horizontal do conhecimento, além da possibilidade de transitar agilmente de um assunto para outro
Não há como desconhecer que essas "sombras", de que fala o autor, e que se referem à incerteza, ao deslumbramento e à perplexidade que acompanham o ser humano diante destas inovações que se sucedem de modo alucinante, estão presentes na criança ao relacionar-se com os ambientes educativos e em especial com o computador, objecto-fetiche que o simboliza.
O computador está presente na vida da criança da modernidade e afecta activamente a construção da sua identidade. Ele é incorporado, juntamente com o "ethos tecnológico" da cultura, com variadas significações.
Primeiramente incorporado como jogo, diversão, lazer, o computador precisa ser resignificado, para a representação como recurso de aprendizagem e, posteriormente, como instrumento de trabalho. Ele é responsável por importantes mediações e acrescido como ferramenta à identidade da criança "incluída digitalmente", utilizando uma expressão actual.
Dependendo do contexto social, pode ganhar várias representações no imaginário dos grupos: de símbolo de status a mera máquina de escrever dotada de mais recursos, de valioso recurso pedagógico a videojogo sofisticado.
Em todas as circunstâncias, no entanto, acreditamos que as interacções promovidas quando a "máquina" é utilizada como recurso na Educação a Distância, promovem forte mediação entre o homem e o conhecimento, afectando intensamente a identidade de quem aprende. Similarmente ao que faz o adulto, interfere no que Vygotsky chama de "zona de desenvolvimento proximal".
A interacção com o computador facilita, através da activação de funções da zona de desenvolvimento proximal, o alcance de níveis mais elevados de desenvolvimento real. Nunca substitui o adulto / educador ou o grupo, mas multiplica as situações em que a citada zona é activada.
Para melhor compreender as etapas através das quais essa interacção ocorre, tomamos por empréstimo as que são enunciadas por Abigail Housen (apud Pillar ao estudar a sequência do desenvolvimento do modo das pessoas verem obras de arte.
A autora propôs cinco estágios, que aqui adaptamos para a explicar a evolução do contacto de uma criança com o computador. São eles:
a) Descritivo, enumerado, narrativo - Existe uma curiosidade acentuada e uma exploração intensa do computador. A criança quer conhecer tudo, pergunta como funciona, quer experimentar todas as possibilidades, sempre acentuando a feição lúdica do contacto.
b) Construtivo - Aqui o computador passa a ter uma existência própria, é incorporado à realidade e deixa de ser apenas um brinquedo, adquirindo nuances utilitárias e funcionais.
c) Classificativo - Surge o interesse pela história do computador - como surgiu, que modelos, marcas e programas existem, quais são e os mais modernos e de maior e menor preço.
d) Interpretativo - A criança percebe que há variados enfoques e significações em relação ao computador, já conseguindo discutir os aspectos positivos e negativos do uso da máquina, assim como reconhecendo que o homem não deve "adorá-la", mas apropriar-se dela e dos seus benefícios.
e) Recreativo - Dá-se a incorporação plena e a utilização do computador em suas várias funções. A criança já apresenta preferências claras por actividades e softwares, assim como o desejo de interferir de forma criativa, propondo situações de uso e actividades.
O ideal, em nossa opinião é que o contacto criança - computador seja facilitado pela família e pela escola, sem acentuar a dinâmica de aceleração do desenvolvimento que vem sendo presente na nossa sociedade, mas em ambientes de aprendizagem a distância cuidadosamente preparados para esse fim.
Deve-lhe ser permitido vivenciar todas as fases descritas, mas assumindo a posição de "usuário crítico e reflexivo" do computador.
Desta forma, além da activação de importantes esquemas mentais, à identidade da criança serão incorporados significados de autonomia e significação da aprendizagem, de curiosidade pelas variadas formas de aprender e de abertura para o progresso e a inovação tecnológica.

Se o processo de formação da identidade sofre o impacto das interacções estabelecidas pelo indivíduo com o meio, as experiências vividas em ambientes educativos virtuais - que se constituem em modalidades especiais de interacção - também afectam a construção duma identidade.

Belloni fala de uma "cultura digitalizada", em que as crianças e os jovens de hoje estão imersos desde os primórdios da vida. A autora destaca, como características dessa cultura, a fragmentação e a extensão horizontal do conhecimento, além da possibilidade de transitar agilmente de um assunto para outro

Não há como desconhecer que essas "sombras", de que fala o autor, e que se referem à incerteza, ao deslumbramento e à perplexidade que acompanham o ser humano diante destas inovações que se sucedem de modo alucinante, estão presentes na criança ao relacionar-se com os ambientes educativos e em especial com o computador, objecto-fetiche que o simboliza.

O computador está presente na vida da criança da modernidade e afecta activamente a construção da sua identidade. Ele é incorporado, juntamente com o "ethos tecnológico" da cultura, com variadas significações.

Primeiramente incorporado como jogo, diversão, lazer, o computador precisa ser resignificado, para a representação como recurso de aprendizagem e, posteriormente, como instrumento de trabalho. Ele é responsável por importantes mediações e acrescido como ferramenta à identidade da criança "incluída digitalmente", utilizando uma expressão actual.

Dependendo do contexto social, pode ganhar várias representações no imaginário dos grupos: de símbolo de status a mera máquina de escrever dotada de mais recursos, de valioso recurso pedagógico a videojogo sofisticado.

Em todas as circunstâncias, no entanto, acreditamos que as interacções promovidas quando a "máquina" é utilizada como recurso na Educação a Distância, promovem forte mediação entre o homem e o conhecimento, afectando intensamente a identidade de quem aprende. Similarmente ao que faz o adulto, interfere no que Vygotsky chama de "zona de desenvolvimento proximal".

A interacção com o computador facilita, através da activação de funções da zona de desenvolvimento proximal, o alcance de níveis mais elevados de desenvolvimento real. Nunca substitui o adulto / educador ou o grupo, mas multiplica as situações em que a citada zona é activada.

Para melhor compreender as etapas através das quais essa interacção ocorre, tomamos por empréstimo as que são enunciadas por Abigail Housen (apud Pillar ao estudar a sequência do desenvolvimento do modo das pessoas verem obras de arte.

A autora propôs cinco estágios, que aqui adaptamos para a explicar a evolução do contacto de uma criança com o computador. São eles:

a) Descritivo, enumerado, narrativo - Existe uma curiosidade acentuada e uma exploração intensa do computador. A criança quer conhecer tudo, pergunta como funciona, quer experimentar todas as possibilidades, sempre acentuando a feição lúdica do contacto.

b) Construtivo - Aqui o computador passa a ter uma existência própria, é incorporado à realidade e deixa de ser apenas um brinquedo, adquirindo nuances utilitárias e funcionais.

c) Classificativo - Surge o interesse pela história do computador - como surgiu, que modelos, marcas e programas existem, quais são e os mais modernos e de maior e menor preço.

d) Interpretativo - A criança percebe que há variados enfoques e significações em relação ao computador, já conseguindo discutir os aspectos positivos e negativos do uso da máquina, assim como reconhecendo que o homem não deve "adorá-la", mas apropriar-se dela e dos seus benefícios.

e) Recreativo - Dá-se a incorporação plena e a utilização do computador em suas várias funções. A criança já apresenta preferências claras por actividades e softwares, assim como o desejo de interferir de forma criativa, propondo situações de uso e actividades.

O ideal, em nossa opinião é que o contacto criança - computador seja facilitado pela família e pela escola, sem acentuar a dinâmica de aceleração do desenvolvimento que vem sendo presente na nossa sociedade, mas em ambientes de aprendizagem a distância cuidadosamente preparados para esse fim.

Deve-lhe ser permitido vivenciar todas as fases descritas, mas assumindo a posição de "usuário crítico e reflexivo" do computador.

Desta forma, além da activação de importantes esquemas mentais, à identidade da criança serão incorporados significados de autonomia e significação da aprendizagem, de curiosidade pelas variadas formas de aprender e de abertura para o progresso e a inovação tecnológica.

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