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A Era da Informática


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Pode-se afirmar que a génese da Internet foi o complexo militar-industrial norte-americano. Tudo começou há 20 anos atrás, no tempo da guerra fria. Essa altura o departamento de defesa dos EUA quis construir uma rede de comunicações que se mantivesse operacional em quaisquer circunstancia. "Quaisquer circunstâncias", neste caso, significava a guerra nuclear. Mesmo que Washington fosse destruída o sistema deveria continuar a funcionar, pensavam os militares americanos. Assim, em conjunto com institutos de investigação e universidades americanas, conceberam uma rede que deveria ser o mais informal possível, sem qualquer centro director e em cada "nó" (gateway) fosse dotado de ampla autonomia.

A ARPAnet era uma rede do Departamento de Defesa que tinha ligações com várias outras redes de rádio e de satélites. Era uma rede experimental destinada a apoiar a investigação militar, sobretudo a investigação sobre como construir redes que pudessem aguentar-se após ataques ou cortes parciais de energia eléctrica. No modelo ARPAnet, a comunicação verifica-se sempre entre um computador-fonte e computador-destino. Considerava-se que a própria rede seria não fiável pois muitos dos seus bocados poderiam ser destruídos a qualquer momento. Assim, foi pensado um modelo em malha de modo a que a transmissão pudesse efectuar-se sempre - por um caminho ou por outro.

A rede foi concebida de modo a exigir o mínimo de informação dos computadores clientes. Para enviar uma mensagem através da rede o utilizador de um computador tinha somente de colocar uma mensagem num "envelope" - o chamado pacote do Internet Protocol (IP) - e endereçar o envelope correctamente. Era atribuída aos próprios computadores e não à rede, a responsabilidade de assegurar que a comunicação fosse efectuada. De acordo com a filosofia do sistema, todos os computadores da rede podiam conversar em pé de igualdade uns com os outros. Abandonava-se assim a antiga filosofia centralizadora do computador mestre (habitualmente um mainframe) acolitado por computadores escravos (os minis, pois os micros ainda estavam incipientes).

O Protocol IP teve um papel decisivo no nascimento e desenvolvimento da Internet. Há vários anos a International Standardization Organization (ISO) tentava elaborar normas aplicáveis a redes de computadores, mas a tarefa não estava concluída. Sob a pressão do mercado, os desenhadores de computadores dos EUA e na Grã-Bretanha começaram a aplicar o software IP em todos os seus produtos. A IP era, na verdade, a única norma prática e comum que podia ser adoptada pelos diferentes fabricantes. Isto também era atraente para os compradores, os governos e as universidades, que assim podiam adquirir equipamentos de quaisquer marcas. Dessa forma, cada um podia comprar os computadores onde quisesse e as maquinas sempre podiam trabalhar em conjunto. A divulgação do UNIX contribui muito para a do protocolo TCP-IP. Este desenvolvimento das coisas coincidiu com uma enorme revolução tecnológica no domínio da informática: o surgimento dos micros, por alturas de 1975. Tudo começou com brincadeiras de rapazes aficionados, que se divertiam a montar pequenas máquinas com kits de peças compradas por correspondência. Os informáticos profissionais, as grandes empresas mundo (como a IBM) e os responsáveis do então mundo socialista a principio não levaram a sério a revolução dos micros. Trataram os micros com desprezo e durante demasiado tempo continuaram a apostar tudo nas máquinas grandes, os mainframes. Mas os micros vieram para ficar e venceram, impondo-se no mercado. Isto mudou totalmente a maneira de ver e conceber a informática. Passou-se a uma informática atomizada (longe do conceito de serviço distribuído, como no regime time sharing), não hierarquizada e informal. Ate ao princípio dos anos 80 era frequente a utilização de mainframes em regime de tempo compartilhado (time sharing). Este sistema, os computadores de uma rede de área local (Local Área Network, ou LAN) ligada por cabos Ethernet podiam recorrer a um mainframe. Mas em 1983 surgiram as estações de trabalho (workstations) com o sistema operacional Unix, as quais incluíam os célebres protocolos IP. Isto criou uma nova procura: ao invés de ligar as máquinas locais a um único mainframe, as organizações americanas dotadas de LANs quiseram que estas ficassem ligadas directamente à ARPAnet. Como é evidente, isto permitiria que todos os computadores daquela LAN pudessem ter acesso às instalações da ARPAnet. Simultaneamente, outras organizações começaram a construir redes locais utilizando também os protocolos IP da ARPAnet. Assim, é evidente que os utilizadores dos computadores de uma determinada LAN passaram a poder conversar com os da outra LAN.

Algumas das mais importantes dessas novas redes norte-americanas eram as das National Science Foundation (NSF), que no fim da década de 80 criou cinco centros de computação avançada. Ate então os computadores mais rápidos dos EUA tinham estado disponíveis apenas para o desenvolvimento bélico e para uma poucas grandes empresas. Ao criar estes centros de supercomputação a NSF estava a tornar tais recursos acessíveis a qualquer investigador. Foram criados só cinco centros de supercomputação devido aos grandes custos envolvidos, os quais tinham de ser participados. Isto criava um problema de comunicação: era preciso um caminho que conectasse os centros e permitisse aos seus clientes ter livre acesso a eles.

Inicialmente a NSF tentou usar a ARPAnet já existente para estabelecer as comunicações, mas isso n deu certo devido á burocracia daquela instituição militar. A solução alternativa foi a NSF construir a sua própria rede, baseada na tecnologia já testada dos protocolos IP. Nascia assim a Internet, a rede das redes. Tal como a ARPAnet, o princípio utilizado foi sempre o da comutação por pacotes. Entretanto, na estrutura conceptual da Internet os protocolos foram hierarquizados. Assim, hoje podem-se distinguir sete níveis (ou "camadas") de comunicação, desde as mais grosseiras até as mais refinadas.

Nos EUA o processo de digitalização principiou pelo estabelecimento de linhas telefónicas com capacidade de 56 000 bits por segundo (64 000 bits/s na Europs), o que equivale aproximadamente à transferência de duas páginas dactilografadas a cada segundo. Isto era razoavelmente rápido naquela época. Entretanto, tornou-se obvio que as universidades americanas iriam à falência se tivessem de pagar uma conexão deste tipo aos centros de supercomputação. O custo das linhas telefónicas é proporcional ao comprimento e haveria milhares de quilómetros a construir. Assim, usando meios físicos já existentes, decidiu-se criar redes regionais e em cada área do país as escolas seriam conectadas ao seu vizinho mais próximo. Cada rede seria conectada a um supercomputador num determinado ponto e os cinco centros seriam conectados entre si. Com esta concepção de rede, qualquer computador poderia comunicar-se com outros através dos eus vizinhos. Foi este, alias, o modo como historicamente decorreu o crescimento de todas as redes de telecomunicações.

Esta solução teve êxito durante algum tempo. Descobriu-se que participar dos supercomputadores também permitia aos sítios conectados participarem muitas outras coisas entre si, coisas que nada tinham a ver com os centros de computação. Subitamente, cada uma destas escolas ficou com os dados e os colaboradores de todas as outras á sua disposição. O tráfego na rede aumentou tanto que os computadores de controlo e as linhas telefónicas tornaram-se sobrecarregadas. Em 1987 a velha rede teve de ser substituída por outra 20 vezes mais rápida. As ampliações têm continuado desde então.

Assim, a Internet é idealizada na década de 60. O objectivo das primeiras pessoas que pensaram sobre ela, seria o grande potencial de trocas e compartilhando de informações, voltadas, sobretudo, para a pesquisa e para fins militares.

Como se viu na história do computador, a partir da II Guerra Mundial, o interesse de vários Estados no desenvolvimento e aprimoramento de computadores, aumentou enormemente, visto o grande potencial estratégico que estas máquinas possibilitavam. Além disso, buscava-se uma forma de compartilhando de informações de forma rápida e segura, de modo a aumentar ainda mais o potencial estratégico dos computadores.

As décadas de 60, 70 e 80 marcam o período da História, que denominamos de Guerra-fria, onde as duas grandes super - potências -Estados Unidos e União Soviéticas juntamente com os seus aliados, travam um guerra de espionagem, bluff e intimidações. Esta foi a era da grande corrida ao armamento, de modo que nenhum dos dois grandes blocos se intimidava perante o outro. Foi neste período que houve a explosão na confecção de ogivas nucleares, e o temor da tão comentada guerra nuclear (com poder para destruir a Terra várias vezes). Neste cenário, a Internet incorporou vários destes "medos". Por construção, a rede é capaz de estabelecer diversos caminhos entre a pessoa que está a requerer a informação, e o local onde a informação está armazenada. Desta forma, uma vez destruído (por ataque nuclear) algum destes caminhos, a comunicação não é interrompida, pois há vários outros para serem utilizados. A rigor, quando todos os caminhos estão a funcionar, a escolha de um ou outro se dá de acordo com o menor tempo possível para que a comunicação possa se efectivar. Nestas análises, estamos a considerar somente a tecnologia TCP/IP, desconsiderando tecnologias mais recentes como as redes ATM.

Aliado a este interesse militar, as grandes universidades americanas começaram a se interessar também pelo assunto, visto que, uma vez implementada, a Internet seria extremamente útil para pesquisas e para colaboração com pesquisadores de outros locais. É claro que nesta época, ninguém tinha noção de onde chegaria a Internet, e do poder transformador dela na vida de toda a humanidade.

Em 1969 a ARPANET (o nome que se dava naquela época à Internet) foi colocada em funcionamento. Ela interligava algumas grandes universidades americanas. Com o passar do tempo, e com o sucesso que a rede foi tendo, o número de adesões foi crescendo continuamente.

Mas é preciso lembrar que estamos no início da década de 70, e nesta época, trabalhar com computador era coisa de especialista, pois era preciso "conversar com a máquina (o computador) na linguagem dela", o que era muito complicado para o ser humano. Por conta disso, somente algumas instituições se aventuravam neste ramo, e a Internet ainda era pouco conhecida.

No entanto, com a elaboração de softwares e interfaces cada vez mais fáceis de se manipular, as pessoas foram encorajadas a participar da rede. O grande atractivo da Internet era a possibilidade de se trocar e compartilhar ideias, estudos e informações com outras pessoas que, muitas vezes nem se conhecia pessoalmente. Com o tempo a rede foi evoluindo... Hoje existe uma verdadeira teia de conexões (web). A Internet, é importante realçar, é o nome dado a tudo (cabos, protocolos, conexões,...) que permite que as pessoas, do seu microcomputador, se conectem e troque informações com os computadores onde estão as outras pessoas.

Actualmente, passados pouco mais do que 30 anos desde a implementação da primeira rede internet (a ARPANET), o mundo estão diferente, e a Internet já faz parte da vida de muita gente. Isto aconteceu, sobretudo por causa do advento dos navegadores (tipo o Netscape e o Internet Explorer) e da rede mundial de computadores, a WWW (World Wide Web).

Por conta disso tudo, hoje em dia várias coisas podem ser feitas através de um computador ligado à Internet.

Agora iremos estudar a história da Internet nos seus pontos mais marcantes:

A caminho da Arpanet...

A Advanced Research Projects Agency (ARPA) poderá ser um sinónimo de pesquisa científica. Após o lançamento do Sputnik (1957) pela União Soviética, os EUA aperceberam-se que haviam sido ultrapassados na primeira corrida em direcção ao espaço. A ARPA surge como uma das respostas do governo norte-americano à urgência de efectuar investigação e desenvolvimento, para que outras competições não fossem perdidas. Nem todas as pesquisas se centraram no campo militar e em 1962 a ARPA inicia um programa de pesquisa em computação. Começa por nomear um cientista do MIT, J.C.R. Licklider para chefe das pesquisas no novo Information Processing Techniques Office (IPTO).



Licklider era ainda, o que se poderá chamar, um novato na ciência computacional, no entanto as suas ideias eram bastante avançadas. Há quem explique isto por ele não estar preso à formalidade académica, já que a computação não era a sua formação de base. Havia publicado recentemente um memorando sobre o seu conceito de Intergalactic Network - uma rede futurista na qual os computadores estariam todos interligados e acessíveis por qualquer pessoa.

O sucessor de Licklider no IPTO da ARPA, Robert Taylor, recorda o interesse de Licklider em interligar comunidades:

"Licklider esteve entre os primeiros a aperceberem-se do espírito de comunidade criado entre os utilizadores de sistemas time-sharing, precisamente por demonstrar o fenómeno da criação da comunidade, em parte por se terem de partilhar os recursos num sistema time-sharing. Licklider ajudou a que as pessoas começassem a pensar em interligar as várias comunidades, interligação interactiva e on-line de comunidades humanas" (ARPA draft, III-21)

Na University of California, Los Angeles (UCLA), Leonard Klienrock foi um dos primeiros cientistas a analisar o que de facto se passava dentro da rede quando esta estava em funcionamento. Klienrock desenvolvia paralelamente investigação sobre como enviar informação através desta rede. Chegou à conclusão de que a melhor forma era repartir a mensagem por várias encomendas (packets), que seriam posteriormente reagrupadas no computador destinatário. A segurança e a flexibilidade estavam asseguradas, já que o sistema não necessitava de confiar numa única linha de envio, podendo os vários pacotes seguir por diversos caminhos até ao seu destino final.

Porém havia um problema - as linhas telefónicas. Em 1965, quando se ligaram computadores entre Berkeley e o MIT, era muito difícil correr programas e trocar dados, pois as velocidades de transferência eram muito baixas. Mesmo assim foi a primeira Wide Area Network (a Internet é uma WAN) da história.

Nos anos de 1966/67 a pesquisa já se havia desenvolvido o suficiente para que o novo responsável da computação na ARPA, Larry Roberts, publicasse o plano de uma rede computacional chamada ARPANET. Ao mesmo tempo, sem conhecimento de ambas as partes, equipas do MIT, do National Physics Laboratory (Reino Unido) e da corporação RAND, trabalhavam todas no desenvolvimento de WANs. As melhores ideias de todos estes intervenientes foram incluídas no desenho da ARPANET.

Só faltava completar uma coisa, desenhar um protocolo que permitisse aos computadores comunicar entre si para trocar mensagens e dados. Ficou conhecido como Interface Message Processors (IMP). O trabalho nestes IMP concluiu-se em 1968, iniciando-se então os testes para verificar se tudo funcionava. O primeiro local a receber um IMP foi precisamente a UCLA, onde Klienrock desenvolvera a sua pesquisa sobre medição da actividade na rede. A UCLA ficou com a responsabilidade de ser o Network Measurement Center (NMC) da ARPANET.

Em Outubro de 1969 havia dois IMP's, instalados em Stanford e na UCLA. Os estudantes do UCLA conseguiam registar-se nos computadores de Stanford, aceder às suas bases de dados, enviar dados e vice-versa. A experiência foi bem sucedida, a rede tornou-se uma realidade.

Em Dezembro de 1969 existiam quatro IMP's (hosts), já que se adicionaram os de Santa Barbara e Utah. Durante os meses seguintes os cientistas foram refinando o software. As capacidades da rede começaram a expandir-se. Cada vez mais computadores se interligavam, em Dezembro de 1971 existiam 23 computadores na ARPANET.

Da ARPANET à Internet...

Em Outubro de 1972 a ARPANET abriu ao público. Na First International Conference of Computers and Communication, que teve lugar em Washington D.C., os cientistas da ARPA demonstraram o sistema interligando computadores de 40 localizações diferentes.
Este acontecimento estimulou pesquisas adicionais nas comunidades científicas ocidentais. Outras redes foram aparecendo. A conferência de Washington estabeleceu também o Internetworking Working Group (IWG) para coordenar a pesquisa que então se efectuava. Ao mesmo tempo, os cientistas da ARPA iam refinado o sistema e aumentando as suas capacidades.
Em 1972 instalaram com sucesso um novo programa para enviar mensagens através da rede, permitindo que as pessoas comunicassem directamente entre si, a que chamamos actualmente E-mail.
Também no princípio dos anos 70 os cientistas desenvolveram protocolos host-to-host (anfitrião - anfitrião). Antes deste avanço o sistema permitia apenas a um terminal remoto (um de cada vez) o acesso aos ficheiros de cada um dos anfitriões. Os novos protocolos permitiriam o acesso aos programas simultaneamente (os vários computadores passavam a ser um único durante o tempo que permanecessem ligados).
Em 1974 os cientistas da ARPA, trabalhando de perto com os de Stanford, desenvolveram uma linguagem comum que permitia às várias redes comunicarem entre si. Ficou conhecida como o Transmission Control Protocol / Internet Protocol (TCP/IP), se bem que na altura fosse apenas um único protocolo e não exactamente o TCP/IP que usamos actualmente.
O desenvolvimento do TCP/IP foi crucial para o desenvolvimento da rede e é importante reflectir sobre o que está implícito no seu design - deveria ter uma arquitectura aberta. De facto o sistema baseia-se na ideia original de Licklider: a Intergalactic Network.
Cada rede deveria ser capaz de funcionar de forma autónoma, de desenvolver as suas próprias aplicações sem entraves e de poder participar na Internet sem modificações internas.
Dentro de cada rede haveria um portal que a ligasse à rede exterior. Este portal, ou gateway, seria um computador maior (para conseguir lidar com o volume de tráfego de forma rápida e ao mesmo tempo diminuir a possibilidade de censura e controle de informação).
Os pacotes de dados seriam transmitidos através da rota que fosse mais rápida. Se um computador estivesse bloqueado ou lento os pacotes seriam redireccionados por uma nova rota até que chegassem ao seu destino.
Os portais entre as redes estariam sempre abertos e encaminhariam o tráfego sem discriminação.
Estava também implícito que os princípios operacionais estariam disponíveis para todas as redes. Esta libertação da informação sobre o design da rede, por ter sido implementada desde o início entre os investigadores, facilitou todos os avanços tecnológicos posteriores.
Nessa altura vivia-se ainda num mundo em que só existiam, quase exclusivamente, computadores mainframe (computadores enormes, que pertenciam a grandes empresas, instituições governamentais e universidades). O sistema foi então desenhado na expectativa de trabalhar através de um número limitado de sub-redes nacionais. Apesar de 1974 marcar o início do TCP/IP, iriam ser necessários vários anos de modificações e redesenho para que ficasse completo e adoptado universalmente. Uma adaptação, por exemplo, já em meados dos anos 70 do século XX, permitia que uma versão mais simples fosse incorporada nos micro-computadores que estavam então a ser desenvolvidos. Um segundo desafio era também desenvolver uma versão do software que fosse compatível com cada uma das redes computacionais (incluindo a própria ARPANET).
Entretanto as redes computacionais iam sendo desenvolvidas. Em 1974 Stanford abriu a Telenet, o primeiro serviço "packet data" aberto ao público (era uma versão comercial da ARPANET). Nos anos 70 o US Department of Energy criou a MFENet, para investigadores no campo da energia de fusão magnética, que deu origem à HEPNet, dedicada à física para sistemas de potência. Isto inspirou os físicos da NASA a criarem o SPAN para os astrofísicos.
Em 1976 um protocolo Unix-Unix foi desenvolvido pelos laboratórios A&T Bell e distribuído gratuitamente a todos os utilizadores de sistemas Unix. Já que o Unix era o sistema mais utilizado no meio académico este foi um passo de gigante para a utilização da rede.
Em 1979 criou-se a Usenet, e-mail e newsgroups eram os pratos fortes, ainda existe hoje em dia.
Em 1982 surge uma variação europeia da rede Unix, a Eunet, que ligava universidades da Grã-Bretanha, Escandinávia e Holanda.
Em 1984 aparece a versão europeia da Bitnet (para cientistas da computação que usavam computadores IBM), a EARN (European Academic and Research Network).
Durante todo este período a ARPANET é ainda a coluna vertebral de toda a rede. Em 1982 é adoptado o protocolo TCP/IP e surge um conjunto de redes que usam este standard - nasceu a Internet.

World Wide Web

Até aqui o desenvolvimento da Internet é uma espécie de laboratório científico onde laboram... cientistas. Ao mesmo tempo que sucediam estas experimentações os computadores e a própria comunicação entre eles (cabos de fibra óptica) ia sendo aperfeiçoada e o sistema ia expandindo-se. Quando em 1984 se contou o número de computadores anfitriões existiam mais do que se pensara originalmente, mais de 1000. O volume de tráfego era gigantesco, muito por culpa do e-mail, e alguns auguraram que o sistema iria parar.

Um desenvolvimento inicial que seria muito importante para o futuro da rede terá sido a introdução do DNS em 1984. Até aqui, a cada computador anfitrião era atribuído um nome, e existia uma lista simples onde constavam todos estes nomes para que pudessem ser consultados. O novo sistema, o Domain Name System (DNS), introduziu algumas novidades muito interessantes para os endereços de Internet americanos, tais como: .edu (educational), .com (commercial), .gov (governmental), .org (international organization) e também uma série de códigos para os vários países. Isto fez com que memorizar nomes, como por exemplo www.historiadainternet.org, se tornasse mais simples. No entanto quando escrevemos este nome o sistema "transforma" e faz corresponder os nomes a endereços IP, que envia e recebe. Se em vez do nome escrevermos a sequência numérica (colocar IP) iremos ter à página electrónica da mesma maneira.

Uma decisão importante para a difusão da Internet foi a de incentivar o seu uso no ensino superior, fosse qual fosse a disciplina era importante trocar conhecimentos.

Em 1984 o governo britânico anunciou a construção da JANET (Joint Academic Network) que serviria para interligar as universidades britânicas. Mais importante terá sido a decisão do US National Science Foundation, em 1985, de estabelecer a NSFNet, com o mesmo propósito. O programa americano envolvia um número de decisões que viria a revelar-se fundamental para o desenvolvimento posterior da Internet:

-> Era obrigatório o uso dos protocolos TCP/IP.
-> As agências federais partilhariam os custos das infra-estruturas comuns (tais como as ligações transatlânticas) e suporte dos portais (gateways).

A NSFNet assinou acordos, para custear tudo, com outras redes científicas. Isto permitiu criar um modelo de cooperação que viria a ser utilizado nos acordos subsequentes. Apoiaram o "Internet Activities Board", descendente directo do Internetworking Working Group (1972) e encorajaram a cooperação internacional para uma partilha dos desenvolvimentos posteriores.

Finalmente, a NSFNet concordou em providenciar a coluna vertebral da Internet dos EUA e forneceu cinco super-computadores para gerir o tráfego. Os primeiros computadores permitiam à rede trabalhar com 56,000 bytes por segundo mas em 1988 já era possível gerir 1,544,000,000 bytes por segundo. Esta rede não era acessível a projectos que não se destinassem à educação ou pesquisa.
O efeito da criação da NSFNet foi tremendo. Em primeiro lugar permitiu ultrapassar o potencial congestionamento do sistema. Em segundo lugar encorajou o uso da Internet. Havia demorado uma década para que o uso dos computadores na Net ultrapassasse o número 1000. Em 1986 o número de servidores chegou aos 5000, um ano mais tarde aos 28,000. Em terceiro lugar, a exclusão de uso comercial da coluna vertebral da rede levou a que se desenvolvessem, paralelamente, fornecedores privados de acesso à Internet.
Esta exclusão de utilizadores comerciais da coluna vertebral não significava que os seus interesses houvessem sido negligenciados. Durante vários anos os fornecedores de hardware e software foram incluindo o TCP/IP nos seus produtos, mas não sabiam bem em que moldes funcionaria e por isso tiverem grandes dificuldades em adaptar os protocolos às suas necessidades. Parte do fulgor da adopção inicial da Internet derivava do acesso livre à informação que continha (desde 1969 que a maior parte dos memorandos da pesquisa sobre a Internet estavam disponíveis em ficheiros online), mas agora o Internet Activities Board quis fazer alguns progressos. Em 1985 organizaram o seu primeiro workshop, direccionado para o sector privado, para discutir o potencial (e as limitações correntes) do protocolo TCP/IP. Iniciou-se assim um diálogo entre o governo, os cientistas e o sector privado, com a participação dos empresários, que desde o início puderam adaptar os seus produtos à interoperabilidade da rede.
Em 1987 surgiu a primeira companhia que oferecia acesso à Internet através de uma subscrição, a UUNET. Outras haveriam de seguir o mesmo caminho. A este nível, a Internet é ainda pouco amigável para os que não a conhecem. Os comandos de acesso para procurar dados podem ser considerados ou complicados ou impenetráveis, a documentação disponível é, na sua maior parte, altamente científica e apresentada de forma nada apelativa (courier script, sem cor), encontrar coisas é difícil e os tempos de transferência são relativamente lentos. As atracções principais para o sector privado são o E-mail, newsgroups, chat e jogos de computador.
Apesar da exploração comercial da Net ter começado, a expansão da Internet continuou a ser conduzida a nível governamental e académico. Também se ia tornando cada vez mais internacional. Em 1989 o número de hosts (computadores anfitriões) ultrapassava os 100.000, um ano depois os 300.000. O fim dos anos 80 e o início dos 90 representaram uma fronteira, por diversas razões:

-> Em 1990 a ARPANET, que havia perdido as suas funções militares em 1983, tornou-se uma vítima do seu próprio sucesso. A rede era agora uma sombra do que havia sido o que a conduziu a um término.

-> Em 1990, o primeiro motor de busca destinado a encontrar e "descarregar" ficheiros digitais, o Archie, foi desenvolvido na McGill University em Montreal.

-> Em 1991, a NSF removeu todas as barreiras aos acessos privados ao seu "backbone".

-> O projecto "Information superhighway" tornou-se uma realidade. Este foi o nome escolhido para popularizar o High Performance Computing Act de Al Gore, que providenciava fundos para pesquisa em computação e melhoramentos na estrutura da Internet norte-americana. Os investimentos no período que vai desde 1992 a 1996 foram de 1500 milhões para a NSF, 600 para a NASA e 660 para o Department of Energy.

-> Em 1991 a World Wide Web abriu as suas portas ao público.





Afinal o que é a World Wide Web?

A World Wide Web é uma rede de sites que podem ser procurados e "descarregados" por um protocolo chamado Hypertext Transfer Protocol (HTTP). Este protocolo simplifica a escrita de endereços, busca automaticamente na Internet pelo endereço indicado e mostra-nos a página para que a possamos visualizar.

O conceito de WWW foi elaborado em 1989 por Tim Berners-Lee e outros cientistas do CERN (Genebra), Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire( este conselho já não existe, e "nuclear" não seve como adjectivo para as pesquisas que lá se efectuam, logo CERN já não é um acrónimo), que estavam interessados em simplificar a busca e recolha de documentos. Um ano mais tarde, Lee, já tinha desenvolvido um programa browser/editor, chamou-lhe World Wide Web. O programa é distribuído gratuitamente num site FTP. As pessoas que frequentemente buscavam e recolhiam documentos em redes computacionais aperceberam-se que este WWW representava um grande avanço. Depois de se aperfeiçoar a linguagem do programa passou-se a uma fase seguinte, desenhar um browser melhor, que permitia que os links ficassem escondidos atrás do texto (usando a Hypertext Markup Language, HTML) e fossem activados pelo clic do rato.

"Quando começei pela primeira vez a trabalhar com um software que daria origem à World Wide Web chamei-lhe Enquiry Within upon Everything, um livro bolorento de conselhos vitorianos que havia visto em criança em casa dos meus pais, nos arredores de Londres."

Berners-Lee em "Weaving the Web"

Este livro embrenhou-se profundamente no imaginário de Lee, o que é normal se pensarmos que existe algo de misterioso e profundamente elegante no título. Lá dentro podia encontrar-se toda a espécie de informação, "desde remoção de nódoas a dicas para investir dinheiro." Não é uma analogia perfeita para a Web, mas para Tim Berners-Lee representou um ponto de partida.
Também para Ted Nelson, que era (e continua a ser) um apaixonado pela literatura, a possibilidade das máquinas permitirem às pessoas escrever e publicar num formato não linear era muito apelativa. Foi ele quem usou pela primeira vez a palavra hipertexto
Em 1965 publicou um livro intitulado "Literary Machines" (e novamente em 1982, uma versão actualizada), fazendo uso do hipertexto, o que deu ao documento uma espécie de aura mágica, não só pelo conteúdo mas também pela forma como deveria ser lido. Theodor descreveu igualmente um projecto visionário - o Xanadu. Neste, todas as citações poderiam ser seguidas até à fonte, permitindo aos autores serem recompensados cada vez que fossem lidos. Theodor Nelson não foi bem sucedido na procura da sua sociedade igualitária, mas o mundo ainda lhe pode vir a dar razão.
Também Douglas Englebart, um cientista da Stanford University, havia previsto que o hipertexto poderia ser uma ferramenta muito útil para trabalhar em grupo. Durante os anos 60 do século XX desenvolveu um espaço virtual onde se poderia colaborar com outras pessoas. O NLS (oN Line System) contava com um interface realmente inovador: para que o cursor do computador se pudesse mover livremente através do ecrã, respeitando as ordens do operador, Englebart inventou um bloco de madeira, mais ou menos do tamanho da mão humana, com sensores e uma esfera na parte de baixo - chamou-lhe rato (mouse). Durante uma apresentação Englebart mostrou a sua criação, movendo-se através de hiperlinks com a ajuda do seu teclado e rato, interagindo de uma forma natural com a máquina. Douglas estava muito à frente do seu tempo, e só quando o rato se tornou uma máquina vulgar é que o hipertexto tomou o seu lugar no design de software.

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