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A Era da Informática


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A necessidade humana de computação data de milhares de anos. Todos nós já ouvimos histórias de povos primitivos que contam suas ovelhas com bastões e pedrinhas. Sem dúvida, o nosso sistema de numeração decimal nasceu do uso dos dedos como objectos de contagem.



As primeiras habilidades computacionais eram surpreendentemente bem desenvolvidas. Tabuinhas de argila contendo cálculos matemáticos foram desenterradas por arqueológicas no oriente Médio. Acredita-se que as tabuinhas, contendo tabuadas de multiplicação e tabuadas de recíprocos, encontradas próximo da Babilónia, foram escritas em torno de 1700 a. C. Os babilónios trabalham com um sistema de numeração sexagesimal (isto é, base 60) que deu origem às actuais unidades de tempo: hora, minutos e segundos. Há evidências de que os babilónios resolviam muitos tipos de equações algébricas. Fórmulas eram representadas por listas de regras passo a passo, juntamente com exemplos numéricos reais. As regras dadas eram suficientemente gerais para permitir a substituição de diferentes números, ou seja, a solução da equação com diferentes argumentos. Nisto as regras se assemelham ao que chamaremos de algoritmo. Como evidencia de sua sofisticação computacional, acredita-se que os babilónios eram capazes de prever eclipses com exactidão já em torno de 500 a. C.



Desde os primeiros tempos, o homem reconheceu suas limitações em relação a cálculos mentais e inventou um conjunto aparentemente interminável de auxílios.



Um dos primeiros dispositivos mecânicos computacionais foi o ábaco, cujas versões primitivas já eram usadas no Oriente Médio desde 2500 a. C. O familiar ábaco chinês (datando aproximadamente de 1200 d. C.) é composto de uma armação e diversos fios de arame. Ao longo de cada um destes fios deslizam sete bolinhas, duas acima de uma barra transversal e cinco abaixo. Os fios correspondem às posições dos dígitos num numero decimal - unidades, dezenas, centenas, e assim por diante, e as bolinhas representam os dígitos - as que estão acima da barra transversal valem cinco unidades cada e as que estão abaixo, uma unidade. Os números são representados pelas bolinhas que estão próximas da barra transversal. A soma de dois números pode ser feita representando o primeiro numero e, em seguida, entrando adequadamente com o segundo. Em qualquer fio cujo resultado é 10 ou mais, as duas bolinhas acima da barra voltam à posição inicial e um 1 extra (o vai - um) é somado no fio à esquerda. Este processo pode ser facilmente ser generalizado para adição e subtracção de mais de dois números. O ábaco ainda é muito popular em muitas comunidades. De facto, um operador de ábaco bem treinado pode somar muito mais rapidamente do que muitos operadores de calculadoras electrónicas.



Os bastões de Napier foram criados para auxiliar a multiplicação, por um nobre escocês chamado John Napier, inventor dos logaritmos. Apesar de dispositivos semelhantes aos bastões terem sido usados desde o final do século XVI, eles só aparecem documentados a partir de 1614. Um conjunto completo de bastões de Napier consiste em nove peças, uma para cada dígito de 1 a 9. Cada uma destas hastes é essencialmente uma coluna de uma tabela de multiplicação. Para obter o produto, os dígitos de cada diagonal são somados da direita para a esquerda, cuidando do transporte de cada vai - um.



Em 1633, um sacerdote inglês, William Oughterd, inventou um dispositivo de cálculo baseado nos logaritmos de Napier, dando-lhe o nome de círculos de proporção. Este dispositivo mais tarde, veio a originar a familiar régua de cálculo. Como os logaritmos dos números são representados por traços na régua, os produtos e divisões são obtidos pela adição e subtracção de comprimentos. Isto é, movendo-se uma peça central (o cursor) de um lado para outro da régua. Outras escalas permitem cálculos envolvendo expoentes, funções trigonométricas e outras funções matemáticas. Por ser rápida, portátil e barata, a régua de cálculo foi muito popular até muito recentemente, quando o seu lugar foi usurpado pela calculadora electrónica de bolso.



Em 1642, com 19 anos de idade, um filósofo e matemático francês, Blaise Pascal, desenvolveu uma máquina de calcular baseada em pequenos discos, que veio a ser predecessora de uma calculadora de mesa popular. Construída para ajudar o seu pai, um cobrador de impostos na cidade de Rouen, a calculadora de Pascal tinha para cada potência de 10 um disco odômetro de automóvel. Apesar de realizar apenas adições e subtracções, a calculadora de Pascal podia ser utilizada indirectamente para realizar multiplicações e divisões por adições ou subtracções sucessivas. Pascal esperava comercializar a sua máquina mas, apesar de ter construído 50 versões diferentes, nenhuma delas funcionava bem, de modo que ele pouco lucrou.



Charles Babbage (1792-1871), um matemático e engenheiro britânico, é considerado por muitos o verdadeiro pai do computador actual. Apenas recentemente foi dada a devida importância a grande parte do seu trabalho. Babbage estava preocupado com os erros das tabelas matemáticas da sua época e, em torno de 1822, ele construiu um modelo de uma máquina para calcular tabelas - a máquina de diferenças. Esta máquina baseava-se também no princípio dos discos giratórios e era operada por uma simples manivela. Em Julho de 1823, o governo britânico concordou em financiar a construção de uma versão melhorada da máquina de diferenças. Infelizmente, a indústria ferramentaria da época não era suficientemente sofisticada para construir a sua máquina.



Como resultado, Babbage foi obrigado a usar grande parte do seu tempo desenhando peças e ferramentas. Isto retardou o progresso do seu trabalho. O projecto continuamente excedia o orçamento e diversas vezes a construção foi paralisada por falta de fundos. Durante uma destas paradas, o mecânico de Babbage entrou em greve e levou consigo todas as ferramentas que tinham sido construídas até então. Foi por volta desta época, 1833, que Babbage concebeu uma máquina bastante aperfeiçoada e que recebeu o nome de máquina analítica. Mais geral do que a máquina de diferenças, a máquina analítica podia ser "programada" para calcular várias funções diferentes. Os progressos da máquina de diferenças quase pararam e, em 1842, o governo britânico retirou o seu apoio por ela não estar concluída. Então, Babagge voltou-se inteiramente para o projecto da sua máquina analítica. Apesar deste ter sido concluído, a máquina nunca foi construída, devido, em grande parte, à tecnologia pouco avançada da época. Somente um século depois, ideias semelhantes foram postas em prática.



Na década de 1880, um estatístico, Herman Hollerith, foi encarregado, pela Agência de Estatística dos Estados Unidos, de desenvolver uma técnica para acelerar o processamento dos dados de censo, que ocorre uma vez a cada 10 anos nos EUA. Como os dados de censo de 1880 levaram quase 8 anos para serem processados, temia-se que os dados colectados em 1890 não estivessem completamente analisados antes de 1900. Hollerith propôs que estes dados fossem perfurados em cartões e automaticamente tabulados, usando máquinas especialmente projectadas. Os cartões não eram ainda parte do ambiente de processamento de dados, apesar de já terem sido utilizados por Joseph Marie Jacquard para preparar o padrão de uma máquina de tecelagem no início de 1800. Com este novo procedimento, os dados do censo de 1890 foram processados em menos de 3 anos. Influenciados pelo sucesso do esforço americano os governos de Canadá, Áustria e Rússia também utilizaram as máquinas de Hollerith para o processamento dos seus censos durante a década de 1890. Muitas organizações de grande porte, como as companhias de seguros e outras agências do governo, começaram a usar as máquinas de Hollerith para os seus próprios problemas de processamento de dados, aumentando a demanda. Durante a década de 1890, Hollerith saiu da Agência de Censo e criou a Tabulating Machine Company que mais tarde passou a fazer parte da International Business Machines Corporation (IBM). O nome de Hollerith continua associado ao cartão perfurado que hoje é o símbolo quase universal do processamento automatizado de dados.



O final da década de 1930 e o início da de 1940 testemunharam um grande alvoroço nas actividades de desenvolvimento dos computadores. Este período, chamado "anos efervescentes" por Tropp, foi influenciado grandemente pela deflagração da II Guerra Mundial. O esforço de guerra intensificou a necessidade de cálculos científicos e, como exemplo, citamos a produção de tabelas balísticas, tornando possível o financiamento de diversos projectos-chave. Além disto, dispunha-se da necessária tecnologia. Esta, aliada ao incentivo, produziu o clima necessário. Devido à intensidade das actividades neste período, com muitos projectos em andamento simultâneo, ainda há actualmente uma considerável confusão sobre a verdadeira ordem dos desenvolvimentos ou sobre a influência que vários projectos tiveram entre si.



Entre os projectos deste período esta a construção encomendada pelo exercito americano de uma série de cinco computadores de grande porte sob a direcção de George Stibitz dos Bell Telephone Laboratories. Chamados de computadores Bell a relé, devido ao uso de relés electromecânicos como componente operacional básico, eles representam um progresso significativo sobre máquinas de calcular da época. Em termos de velocidade de operação, superaram mesmo as mais avançadas calculadoras a discos. Apesar de terem sido projectados para cálculos específicos, estes computadores evidenciaram que as calculadoras a relés podiam realizar cálculos 24 horas por dia, 7 dias por semana com poucos erros e curto tempo para reparações.



No final da década de 1930, numa sala de porão do Iowa State College em Ames, Iowa, John Vicent Atanasoff começou a formular os princípios da primeira calculadora electrónica automática. Com o auxílio de um estudante de graduação, Clifford Berry, ele iniciou a construção de um protótipo em Setembro de 1939. Este podia resolver, com muita exactidão, equações simultâneas, envolvendo ate 29 incógnitas. Entre os importantes princípios incorporados nesta máquina estão o uso da memória regenerativa e do sistema de numeração com base 2, binário, ao invés do sistema de base 10. Atanasoff e o seu trabalho eram pouco conhecidos ate recentemente. Em Outubro de 1973, o juiz distrital americano Earl R. Larson, Minneapolis, julgando uma acção judicial de 200 milhões de dólares por infracção de patente, envolvendo duas companhias de computadores, foi um dos primeiros a dar atenção pública ao trabalho pioneiro de Atanasoff.



Durante este mesmo período, um alemão de nome Konrad Zuse estava envolvido com o projecto e a sua construção de computadores. O seu primeiro trabalho, chamado de Z1, começou na sala de estar do apartamento dos seus pais em Berlim. Apesar da grande parte do seu trabalho ter sido destruído durante a guerra, ele conseguiu continuar em actividade, aperfeiçoando modelos anteriores e chegando a formar uma companhia bem sucedida de fabricantes de computadores. Nas suas primeiras máquinas, Zuse foi o pioneiro em algumas ideias fundamentais, embora desconhecendo os trabalhos em andamento noutros lugares.



Durante a guerra, o Serviço de Inteligência Britânico esteve envolvido com a construção de uma série de computadores electrónicos conhecidos como Colossos, num projecto altamente confidencial em Bletchley Park. Desenvolvido como um computador para fins específicos, o primeiro Colosso foi usado na decifração de códigos, tornando-se operacional em Dezembro de 1943. Grande parte da informação sobre os computadores Colossos e os seus usos ainda tem acesso reservado.



Durante o período 1937-1944, uma máquina conhecida como Calculadora Automática de Sequencia Controlada, posteriormente chamada de MARK I, foi construída por Howard Aiken com o apoio da IBM e da marinha americana. À semelhança dos computadores Bell, o MARK I era um computador a relés e podia executar uma sucessão arbitrária de operações aritméticas sob o controle de uma sequência codificada de instruções. Ao contrário de alguns dos seus contemporâneos, Aiken, que conhecia o trabalho executado por Babagge um século antes, reconheceu a sua influência nos seus escritos. De facto, o MARK I veio a ser chamado de "o sonho de Babagge torna-se realidade". Aiken veio a projectar os MARKs II a IV.



Um projecto financiado pelo Ballistic Research Laboratory, em Maryland, Pensilvânia, levou à construção do primeiro computador de grande porte e totalmente electrónico. O ENIAC (Electronic Numerical Integrator And Calculator) foi construído de 1943 a 1946 sob a direcção de John W. Mauchly e J. Prester Eckert. O ENIAC usava válvulas electrónicas, substituindo os relés do MARK I, o que tornava então capaz de operar com velocidade 1000 vezes maior. Mauchly conhecia o trabalho de Atanasoff, entretanto a extensão da influência deste trabalho não é clara.



Este foi o mais ambicioso e o mais importante dos trabalhos pioneiros em computação electrónica. Entre os seus muitos componentes. O ENIAC tinha em torno de 18.000 válvulas, 70.000 resitores e 10.000 capacítores, consumindo cerca de 150 quilowatts de potência. Ele ocupava uma área de aproximadamente 1.400 m2, um terço de um campo de futebol e pesava 30 toneladas. Muitos disseram que o ENIAC jamais funcionaria pois a confiabilidade das válvulas era ainda muito baixa. Entretanto, tudo foi terminado a contento e, durante a sua vida de quase 10 anos, ele trabalhou 80.223 horas. Embora a entrada e a saída de dados fossem feitas em cartões perfurados, os programas eram preparados através da modificação de circuitos. O ENIAC podia executar 5.000 adições ou 300 multiplicações por segundo, sendo então muito mais rápido do que qualquer contemporâneo seu. A sua grande limitação era a capacidade de armazenamento de dados. Superado por novas máquinas, o ENIAC deixou o serviço activo em 1955.



A programação destes primeiros computadores era uma tarefa formidável, exigindo conhecimento completo dos detalhes operacionais da máquina, engenhosidade e muita paciência. Os programas para o ENIAC, por exemplo, eram colocados na máquina ou eram modificados através de alterações das ligações eléctricas entre os componentes, usando fios, um trabalho com duração de 1 ou 2 dias. Esta situação tornou-se logo intolerável. Não era razoável usar dias montando o programa no computador para que este obtivesse os resultados em minutos.



John Von Neumann, um consultor do projecto ENIAC, foi o primeiro a propor o conceito de programa armazenado. Ele propôs que as instruções fossem armazenadas no computador juntamente com os dados. Esta ideia, actualmente conhecida como o conceito von Neumann, aumentou a flexibilidade e a versatilidade do computador de duas maneiras. Em primeiro lugar, as instruções podiam ser alteradas sem as religações eléctricas das conexões entre os componentes (mais rapidamente, portanto) e, em segundo lugar, uma vez que as instruções podiam ser armazenadas como números, o computador podia processá-los como se fossem dados, tornando possível uma modificação automática de instruções e ainda uma alteração da sequencia de execução. Este conceito abriu as portas para uma série de novos projectos. Em 1946, von Neumann o grupo do ENIAC e H.H. Goldstine começaram a construção de um computador com programa armazenado, o EDVAC (Electronic Delay Storage Automatic Computer) cuja construção se estendeu ate 1952. O EDSAC (Electronic Delay Storage Automatic Calculator), construído na Universidade de Princeton sob a direcção de M. V. Wilkes, foi o primeiro computador com esta inovação a ser terminado, tendo entrado em operação em Maio de 1949. Em 1952, um computador com programa armazenado, o IAS, foi terminado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton sob a supervisão de von Neumann. Nesta época (fins da década de 1940 e inicio da de 1950), outros computadores com programas armazenados foram desenvolvidos com nomes que mostravam a excitação do período: O ILLIAC da Universidade de Illinois, o JOHNIAC da Corporação RAND e o WHIRLWIND (Furacão) do Instituto de Tecnologia de Massachussets.



Os construtores do ENIAC, Mauchly e Eckert, a partir do projecto desta máquina, desenvolveram o Computador Automático Universal (UNIVAC) que se tornou o primeiro a entrar em linha de produção. O UNIVAC I alcançava maiores velocidades usando iodos de cristal ao invés de válvulas a vácuo, prefigurando, assim, a era do estado sólido na electrónica. Entre as novas características deste equipamento citamos a capacidade de, simultaneamente, introduzir informações no computador, de realizar cálculos e gerar informação impressa de saída. Isto foi possível através do uso de dispositivos periféricos, operacionalmente independentes, com velocidades relativas altas, chamados UNITYPER e UNIPRINTER. O UNIVAC I também tinha um sofisticado sistema de fita magnética. A primeira instalação de um UNIVAC I foi feita na agência de recenseamento dos EUA em 1951; logo em seguida, fez-se a primeira instalação comercial de um UNIVAC I (a primeira instalação comercial da qual se tem noticia), numa nova fábrica da General Electric, em Louisville, Kentucky.



A IBM entrou no campo dos computadores de grande porte relativamente tarde. A sua incrível história de sucesso resultou dos esforços de um homem e de algum oportunismo. Em 1911, a Computing Tabulating Recording Company foi formada pela fusão de quatro pequenas firmas. Três anos mais tarde, Thomas J. Watson foi contratado como gerente. Em 1924, Watson mudou o nome da firma para International Business Machines Corporation (IBM). Antes de 1950, as únicas máquinas automáticas de computação destinavam-se a complementar o seu equipamento de cartões perfurados. O primeiro grande computador da IBM, posteriormente chamado IBM 701, ficou pronto em 1953, bem a tempo de ir ao encontro das crescentes necessidade de computação causadas pela guerra da Coreia. Durante os três anos seguintes foram instalados dezoito 701. Em 1955, o 701 tinha sido substituído pelo 702, considerado por muitos como inferior ao antigo UNIVAC. Como resultado, o 702 foi retirado do mercado e o 705 logo lançado. Ao invés da memória de tubo de raios catódicos dos seus predecessores, o 705 tinha uma memória mais rápida e confiável de núcleos magnéticos. Por volta de 1959, o 705 estava bem firmado no campo do processamento de dados. Completado em 1956, o 704 tornou-se um computador de grande porte para aplicações científicas bem sucedido.



A entrada e a saída de dados eram lentas nos primeiros computadores. A IBM tentou remediar a situação com o lançamento do modelo 709 em 1958. Permitindo que as operações de entrada e saída ocorressem simultaneamente com os cálculos, perdia-se menos tempo precioso de computação. Entretanto, o 709 era um computador a válvulas e o desenvolvimento dos circuitos transitorizado compatível com o 709. Centenas de 709 foram vendidos a um preço médio de três milhões de dólares. Em 1962 e 1963, a IBM produziu os computadores 7040 e 7044 que eram menos poderosos que o 7090, mas consideravelmente mais baratos.



Em menor escala, a IBM anunciou, em 1953, um computador de médio porte, o 650. a demanda de computadores 650 foi subestimada pois, ao invés de fabricar 50 como pretendia originalmente, a IBM produziu e vendeu mais de mil deles. Os seus sucessores do início de 1960 eram computadores transitorizados; citamos o pequeno 1620 científico e os da série 1400 que forma largamente utilizados no processamento de dados.



O projecto da família de sistemas de computação IBM/360 começou em 1961 e tinha por objectivo padronizar o equipamento da empresa. Eles eram mais poderosos e mais baratos do que os computadores anteriores e aceitavam uma grande variedade de dispositivos periféricos. A série 360 era um sistema modular cuja capacidade aumentava à média que se subia dentro da linha de produtos. Esta série causou um tremendo impacto em toda a indústria de computadores. Milhares de sistemas 360 foram instalados no mundo e a posição industrial dominante da IBM foi firmemente estabelecida.



A partir da metade da década de 1960 tem havido muita actividade nas áreas de microcomputadores e, mais recentemente, de microcomputadores. A Digital Equipment Corporation tem tipo uma posição proeminente na fabricação de microcomputadores com a sua linha PDP. O primeiro PDP-1 foi instalado no MIT em 1961. Enquanto os preços destes computadores continuam caindo, a suas capacidades continuam crescendo rapidamente; por isso, um número cada vez maior de pequenas firmas tem adquirido o seu próprio computador. Os microcomputadores também estão a encontrar lugar nas nossas vidas, desde calculadoras electrónicas de bolso ate dispositivos de recreação. A mania de computadores é um fenómeno em larga expansão à medida que os componentes e os conjuntos para montagem estão se tornando disponíveis a baixos preços. As indicações são as de que, dentro das duas próximas décadas, os computadores, de alguma forma, serão dispositivos domésticos tão comuns como os aparelhos de televisão.



A introdução de computadores de programa armazenado deu origem a uma nova profissão, a do programador. Desde então, progressos significativos têm ocorrido no campo da programação, especificamente no desenvolvimento de técnicas para facilitar o trabalho do programador.



Muitos admitem que a honra de ter sido o primeiro programador deveria ser dada a uma pitoresca senhora que faleceu quase a um século antes que os primeiros computadores de programa armazenado surgissem – Ada Augusta, a condessa de Lovelace, cuja vida era rica de acontecimentos. Ela nasceu em 1815 e era filha do poeta inglês Lord Byron. Meses após o seu nascimento, dos seus pais se separaram e ela nunca mais viu o pai.



À época do seu casamento com o conde de Lovelace, em 1835, Ada conheceu Charles Babbage que estava a começar o seu projecto da máquina analítica. Tendo aptidões matemáticas e mecânicas, ela ofereceu-se para trabalhar com Babbage no seu projecto e, em 1842, traduziu do Italiano para o inglês uma primeira descrição da máquina, acrescentando as suas próprias anotações. Estas referiam-se a "ciclos de operação" e ao uso repetido de cartões em estruturas semelhantes a sub-rotinas actuais. Ada também se referiu à computação não numérica e à manipulação simbólica. Ela observou que a máquina analítica não podia "originar qualquer coisa", mas apenas "aquilo que nós soubéssemos ordená-la a fazer". Uma das suas anotações era uma descrição passo a passo para o cálculo de números de Bernoulli através da máquina analítica, citada por muitos como o primeiro "programa" de computador.



Ada e Charles colaboraram posteriormente num esquema para aplicar a máquina analítica ao problema de ganhar corridas de cavalos. Durante o resto da sua vida, Ada jogou negligentemente e perdeu uma parte considerável da fortuna dos Lovelace. Ela morreu de cancro em 1852.



Da mesma forma que as linguagens naturais servem de veículo à comunicação entre seres humanos, há também linguagens para efectuar a comunicação entre seres humanos e computadores. Estas linguagens permitem ao homem expressar os programas (conjuntos de instruções) que ele deseja que sejam executados pelo computador. As linguagens de computador assumem formas diversas. Os programas para os primeiros computadores, como o ENIAC e o EDSAC, eram preparados na própria linguagem das máquinas. Na linguagem de máquina, as instruções são expressas como conjuntos ou cadeias de dígitos binários também conhecidos por bits (do binary digits.) Esta forma de codificar instruções dificultou em muito as actividades dos primeiros programadores, limitando severamente o uso dos computadores e incentivando o desenvolvimento de linguagens de maior nível, permitindo, assim a expressão de solução usando uma notação dirigida mais para problemas próprios.



Então, um programa especial seria chamado para efectuar a tradução desta linguagem de maior nível para a linguagem própria da máquina.



As primeiras linguagens eram conhecidas como linguagens de montagem, um por exemplo das quais era a TRANSCODE, desenvolvida para o computador FERUT da Universidade de Toronto por Pat Hume e Beatrice Worsley. Numa linguagem de montagem, um código especial (chamado mnemónico) é definido para cada uma das operações da máquina e uma notação é introduzida para especificar os dados sobre os quais as operações devem actuar. Um programa especial, chamado de montador, traduz as instruções simbólicas da linguagem de montagem para instruções da linguagem de máquina necessárias para a execução. As linguagens de montagem ainda são populares hoje em dia para certas aplicações.



Apesar do grande avanço que isto representou sobre as linguagens de máquina, ainda não suficiente para atender as necessidades de todos os possíveis programadores.



Em meados de 1950, apareceram as primeiras linguagens de programação com fins gerais e orientadas para os problemas. Uma linguagem que rapidamente revolucionou o campo da programação que era conhecida por FORTRAN (do inglês "fórmula transnation system", sistema de tradução de fórmula) e foi anunciada em 1954. O líder do projecto FORTRAN era John Backus-Naur que trabalhava com a IBM e mais tarde foi responsável pelo desenvolvimento de método formal para definir a sintaxe das linguagens de programação – Forma Backus-Naur ou FBN. A linguagem FORTRAN foi implementada em 1957 com novas versões lançadas em 1958,1960 e 1962. Esta última versão tornou-se conhecida como FORTRAN IV. FORTRAN é uma linguagem orientada para problemas numéricos científicos. É fácil de ser aprendida, lida e escrita.



Com a linguagem FORTRAN, usuário era capaz de, pela primeira vez, escrever um programa sem conhecer quase nada das características físicas da máquina onde o programa deveria ser executado. Na verdade, a linguagem é independente da máquina; assim, teoricamente, programas escritos em FORTRAN para uma máquina poderiam facilmente ser rodados noutras máquinas, embora na prática isto seja, às vezes, difícil. Este não é o caso de programas escritos em linguagem de montagem ou em código de máquina. A linguagem FORTRAN teve um grande impacto na indústria de computadores pois permitiu que as pessoas pudessem preparar os seus próprios programas sem a ajuda de um programador profissional. Em 1977, foi lançada uma nova versão é denominada FORTRAN 77. No início, a linguagem FORTRAN não foi prontamente aceita pois temiam-se os custos muito altos no processo de tradução. Ao invés de um montador, as linguagens de maior nível, orientadas para o problema, devido à sua generalidade, requeriam uma forma mais sofisticada de tradutor, conhecido como compilador muito mais complexo e dispendioso do que o montador.



O uso de computadores aumentou apesar de tudo. Ao longo dos anos, o custo de compilação baixou significativamente e a linguagem FORTRAN tornou-se a mais usada do mundo, factor muito importante no aumento do uso de computadores. A introdução de compiladores rápidos, destinados a estudantes, como aqueles desenvolvidos na Universidade de Waterloo, chamados de Watfor e Watfiv, tornou prático o ensino da programação FORTRAN e da computação em si para o grande número de estudantes.



Outras linguagens de programação seguiram os passos da linguagem FORTRAN. A linguagem ALGOL (do inglês Algorithmic Language) foi projectada por uma comissão internacional em 1958, sendo revisada em 1960. ALGOL é uma linguagem muito eficiente para resolver uma grande classe de problemas numéricos, sendo, no entanto, inadequada (como é a linguagem FORTRAN) para o processamento de dados não numéricos. Actualmente, a linguagem ALGOL é muito mais popular na Europa do que na América do Norte.



Tanto FORTRAN como ALGOL são orientadas primordialmente para cálculo científico.



Em Maio de 1959, uma reunião foi convocada pelo Departamento de Defesa Americano para discutir problemas de desenvolvimento de uma nova linguagem comum para aplicações comerciais. Compareceram cerca de quarenta representantes de usuários, órgãos governamentais, fabricantes de computadores e outras partes interessadas. Uma versão inicial do COBOL (Commom Business Oriented Language) foi lançada em Dezembro de 1959.



Os objectivos do COBOL incluíam uma forma natural de expressar programas (numa linguagem semelhante ao inglês), tornando-a fácil de ser aprendida, largamente auto documentada, e independente do equipamento, permitindo assim a utilização do mesmo programa em instalações diferentes.



Embora as especificações do COBOL tenham sido revistas e mudadas diversas vezes desde o seu primeiro lançamento, a linguagem em si tem permanecido essencialmente a mesma. É largamente utilizada no tratamento de dados comerciais.



Em 1965, no Dartmouth College, John Kemeny e Tom Kurtz projectaram uma linguagem científica de programação, denominada BASIC (do inglês Beginner’s All-purpose Symbolic Instrution Code), com o objectivo de programação, de ser tão fácil de ser aprendida e usada quanto possível. O sistema BASIC foi o primeiro a ser utilizado em redes ou processamento distribuído e também o primeiro disponível nos modos conversacional e de tempo compartilhado. Neste caso, cada comando enviado pelo usuário de um terminal BASIC causa uma resposta imediata do computador. Isto permite ao usuário um maior controlo sobre o processamento do seu programa.



A linguagem BASIC é muito popular actualmente e o tempo compartilhado tornou-se um modo comum de operação, com muitas linguagens e facilidades disponíveis.



Em Setembro de 1963, a IBM e os seus clientes formaram uma comissão IBM com o objectivo de "propor uma linguagem que englobasse mais usuários e, ao mesmo tempo, continuasse a ser uma ferramenta útil ao engenheiro". Primeiramente, pensou-se que a comissão iria simplesmente estender a linguagem FORTRAN de alguma maneira apropriada, mas, depois de estudar o FORTRAN, o ALGOL e o COBOL e ainda consultar diversos usuários, a comissão decidiu desenvolver uma nova linguagem. Um relatório sobre a nova linguagem proposta, foi apresentado no primeiro de Março de 1964. (Originalmente chamada de NPL, New Programming Language, a sigla foi alterada para PL/I por coincidir com a sigla Nacional Physical Laboratory).A linguagem foi revista em Junho e Dezembro tendo, então, eventualmente recebido a sigla PL/I. O primeiro manual oficial apareceu no início de 1965 e o primeiro compilador PL/I foi implementado num sistema IBM 360 em Agosto de 1966.

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